A Saga Continua

… e pelo andar da carruagem irá durar todo o ano.

Directores criticam Ministério por problemas nos contratos

 

Por todo o país, escolas TEIP (Territórios Educativos de Intervenção Prioritária) e escolas com autonomia estão a ser notificadas para anular contratos de professores. Em causa está a utilização de critérios de selecção como a continuidade pedagógica (ter-se dado aulas anteriormente na escola) e a forma como os directores escolheram os candidatos na plataforma do Ministério da Educação e Ciência (MEC).

Mas se o Ministério fala em reposição da legalidade, os directores respondem que a lei é confusa, as instruções para os concursos chegaram tarde e todos os critérios foram validados pelas Direcções Regionais de Educação.

Em muitas das escolas contactadas pelo SOL, os contratos anulados chegam aos 30 ou 40. Nalguns casos representam mais de 50% do corpo docente. Mas não há ainda números globais, já que as inspecções ainda estão a decorrer.

«Não percebemos o que se está a passar, até porque a continuidade pedagógica é um critério aceite nas outras escolas, que não são TEIP e não têm autonomia. E é um conceito que está na lei», diz ao SOL um director, que não quer ser identificado. Noutra escola, o director diz não perceber por que vai ter de anular 40 contratos, «quando foram usados exactamente os mesmos critérios de selecção de outros anos».

Uma directora de uma TEIP da Grande Lisboa recorda que a introdução da graduação profissional dos candidatos – que valia 50% na selecção, enquanto a outra metade era composta por uma entrevista ou avaliação curricular – «veio tornar mais complexo o processo». Mais ainda, explica, porque «os candidatos tinham de ser chamados para a entrevista por tranches de cinco, sendo que a escola não podia voltar a chamá-los se, depois de entrevistada a tranche seguinte, se chegasse à conclusão de que os mais aptos estavam na primeira».

Os directores acusam ainda o MEC de ter dado orientações confusas e tardias. «O manual de utilização da plataforma electrónica só ficou pronto a 19 de Outubro e alguns esclarecimentos só chegaram no dia 16 deste mês, quando a maioria das colocações foi no início de Setembro», critica um dirigente escolar.

Falta saber se os directores serão pessoalmente responsabilizados pelos contratos anulados. «O mais incrível é que nunca fui ouvido. Até era bom que o MEC processasse os directores para nos podermos defender», atira o director de uma TEIP.

 

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21 comentários

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    • Miguel Castro on 30 de Outubro de 2012 at 17:42
    • Responder

    Têm cá uma cara de pau estes diretores!
    Rua com eles.

    Há dois anos foi colocada uma com 4 meses de serviço. Eu tinha 10 anos e fiquei atrás. Não tinha a continuidade pedagógica. E lata para se virem armar em VIRGENS OFENDIDAS.

    Parece que esta bandalheira finalmente está a chegar ao fim. Só falta o passo final que é meteram as TEIP´s nos concursos normais.

    • Pedro on 30 de Outubro de 2012 at 18:11
    • Responder

    A culpa é das escolas e do MEC que permitiu estes critérios desde 2007 e só agora acordaram.
    Mas o problema não é só este. Muitas escolas não publicam as listas finais ou então não respeitam as tranches de 5.

    • PC on 30 de Outubro de 2012 at 18:21
    • Responder

    Alguém conhece algum caso de anulação de contrato nas escolas do Norte? É que fico que a sensação que a IGEC só actuou em escolas da zona de Lisboa. E as restante não foram alvo de inspeção?

      • HD on 30 de Outubro de 2012 at 19:21
      • Responder

      Viso, Perafíta. E águeda se ainda considerar Norte.
      Mas os horários que eu ainda estou a ver se voltam a aparecer são os “famosos” horarios do 910 de Vialonga. Voltou a aparecer 1 desse grupo nessa escola mas é uma sub temp, os outros em que ficaram colegas com médias baixas é que nunca mais aparecem…

        • l.o.-.o.l on 30 de Outubro de 2012 at 21:17
        • Responder

        Espera sentado!
        Não leste o Sr. Arlindo onde escreve que isto vai durar todo o ano?
        Mas afinal que é que manda aqui?

    • Noah on 30 de Outubro de 2012 at 18:28
    • Responder

    «os candidatos tinham de ser chamados para a entrevista por tranches de cinco, sendo que a escola não podia voltar a chamá-los se, depois de entrevistada a tranche seguinte, se chegasse à conclusão de que os mais aptos estavam na primeira»

    ………………………..então, mas não tinha que seleccionar alguém da 1ª tranche?! Só passava à 2ª caso ninguém da 1ª tranche aceitasse o horário…

    • Noah on 30 de Outubro de 2012 at 18:36
    • Responder

    De qualquer forma, tenho que concordar com o diretor anónimo (porque será?!): só este ano é que se tem feito alguma coisa em relação aos atropelos nos concursos nestas escolas… nos anos anteriores, os casos foram muito mais escandalosos e não se fez niente! Falo essencialmente do Norte, este ano não fui ultrapassada nas CE que concorri… Ainda assim, parece-me inaceitável que se demore tanto a selecionar os profs. Há horários desde o final de Agosto por preencher.
    E claro que isto se solucionava muito facilmente: tudo na RR!
    Ninguém inventava tempo de serviço, as escolas ficavam livres destes trabalhinhos, os alunos esperavam muitos menos tempo pelos profs, o ME não tinha que se incomodar com tanta queixa, a transparência a bem de TODOS!

      • HD on 30 de Outubro de 2012 at 19:27
      • Responder

      Concordo. Ainda o ano passado fui ultrapassado por uma colega sem Hab para o grupo e a resposta da inspeção foi a seguinte: ” a escola tem autonomia para colocar o docente”.
      Este ano os inspetores e o ME estão a “trabalhar para Santos”.

        • Clio on 30 de Outubro de 2012 at 21:06
        • Responder

        Sem Hab?
        Explique lá isso melhor.

          • HD on 31 de Outubro de 2012 at 12:15

          É simples. A colega era de outro grupo, logo não tinha Hab para o meu. Até podería ter Hab suficiênte para o meu grupo (que penso que já não existe), mas não pode passar um com Hab Profissional.

    • l.o.-.o.l on 30 de Outubro de 2012 at 20:45
    • Responder

    O Sr. Arlindo não diz que ainda se vai rir disto?
    Assim quem negociou estas trapalhices também vai ter motivo para rir todo o ano.
    Parece que é esta a seriedade com que todos eles encaram estes problemas.
    Aos Srs. Diretores que eu saiba ninguém deu ouvidos e se calhar esse foi o maior erro.
    Resta saber a razão politica que está por trás disto tudo.
    Desde quando é que um critério baseado na continuidade pedagógica viola a Lei? O que está na base das reconduções?
    Qual o motivo que leva a distribuição de serviço a previligiar a continuidade pedagógica?
    Será que as circulares dos dias 16 e 19 são legais?

  1. Mortinho por ter a MLR a ouvir-vos?
    A renovação das colocações está prevista para as escolas TEIP ao abrigo das colocações a partir do 132/2012. Mas claro, é preciso em primeiro lugar cumprir o que lá está escrito.
    Quem assinou o 132/2012 só pode estar satisfeito por ter privilegiado a graduação profissional em detrimento de outros critérios.
    E por isso já não me admira que não o assinou ande a promover reuniões com as vitimas desalojadas destes concursos.

    • Daniel on 30 de Outubro de 2012 at 22:04
    • Responder

    Estes directores são tão “tótós”! Apliquem a lei geral de recrutamento (o que já fazem em relação ao pessoal não docente) conjugada com o DL132/2012. Um candidato que na avaliação curricular ou entrevista tenha menos de 9.50 fica excluído (ver portaria 83-A/2009, ponto 13 do artigo 18). Assim não são obrigados a selecionar qualquer um.

    Note-se que discordo do recrutamento baseado na graduação. Não é o tempo de serviço + nota de curso que atesta a competência de um professor.

    • l.o.-.o.l on 30 de Outubro de 2012 at 22:10
    • Responder

    Não respondeu a nenhuma das minhas questões.
    O titulo deste post (e outros) quando se trata da opinião dos diretores revela claramente a sua opinião e intenção.
    As guerras sindicais não me interessam para nada, sou professor!
    Nem sequer compreendo a referência a reuniões com “vitimas desalojadas” que passam a vida no chat e a comentar o seu blogue. Está a perder seguidores?

    • maria on 30 de Outubro de 2012 at 23:49
    • Responder

    As TEIP’s são uma bandalheira a todos os níveis. Quem ganha com a situação …? Os directores e os amigalhaços próximos …! E até mesmo os que se estendem até às juntas de freguesia, concelhos … etc., …etc.,

      • I. Cruz on 1 de Novembro de 2012 at 1:20
      • Responder

      Já estiveste em alguma TEIP? Ou conheces alguma? Então, cara colega está caladinha e não fales do que não sabes!!!

  2. Sejamos realistas e não egoístas
    Escreve este artigo porque não posso deixar de manifestar o meu profundo desagrado pelos meus colegas de profissão.
    Há alguns anos atrás, ouvia frequentemente os meus colegas mencionarem que preferiam ficar desempregados do que lecionar numa escola TEIP; ouvia frequentemente que as escolas TEIP estavam excluídas das suas hipóteses de colocação, devido ao facto de serem um meio escolar complexo, tal como o próprio nome indica.
    Os diretores destas escolas depararam-se com esta problemática e mesmo assim receberam de forma sincera e cordial o corpo docente que, sem medo, aceitou este desafio, quando a grande maioria de outros professores “fugiam” de lá.
    Neste momento, a situação mudou: perante o desemprego e a ausência de colocação, devido apenas à péssima organização dos recursos humanos e materiais dos nossos governantes, os professores decidiram que as escolas TEIP já podem ser uma tábua de salvação; agora já desejam a sua integração nestas escolas, esquecendo rapidamente o significado de escolas TEIP ou com autonomia.
    Será que os meus colegas só têm força para se unirem contra outros colegas? Será que não somos capazes de lutar, todos juntos, contra esta política e não contra os professores que de forma honesta e sincera, deram e continuam a dar o seu melhor nestas escolas?
    Relembro e deixo bem explicito que os subcritérios do concurso das escolas TEIP foram validados pelo Ministério da Educação e não pelas respetivas escolas, dando-me a sensação que é o mesmo Ministério que já se esqueceu, ou finge esquecer, da tomada de decisão que tomou.
    Colegas revoltados não sejamos egoístas mas realistas: os colegas das escolas TEIP escolheram trabalhar nestas escolas, enquanto vocês preferiam o desemprego. Agora estas escolas já servem? Já são melhores do que o desemprego? Esquecem-se que estes professores foram informados, no início de setembro, que tinham sido selecionados para uma vaga anual e passados, sensivelmente dois meses, receberam ordem de anulação de contrato devido a ilegalidades aceites e aprovadas pelo Ministério? Afinal de quem é a culpa? Estamos a brincar com a vida pessoal e profissional destes docentes?
    Muito me entristece esta situação! Não trabalho nem nunca trabalhei numa escola TEIP ou com autonomia mas admiro os colegas que lá estão, que ao contrário dos que agora tanto reclamam, foram corajosos e aceitaram, desde alguns anos atrás, este desafio, dando provas do seu esforço, trabalho e mérito.
    Termino deixando um conselho: façam uma paragem de consciência, analisem todo o processo e verifiquem que os professores das escolas TEIP merecem o vosso respeito. Afinal os egoístas não são eles mas quem está contra eles.
    Colegas das escolas TEIP não desistam, os vossos alunos precisam de vós!

    Professora contratada, com oito anos de serviço

      • I. Cruz on 31 de Outubro de 2012 at 12:02
      • Responder

      S., Assim é que é falar!
      Já algumas vezes escrevi que em setembro de 2009 estes colegas que tanto falam agora de injustiças ou estavam bem colocados ou ainda estudavam porque praticamente ninguém concorreu para as TEIP.
      Mas agora tudo vale para pôr em causa o trabalho dos colegas que nestes últimos 3 anos estiveram em TEIP.
      Santa paciência!!!!
      Professora contratada com 12 anos de serviço (em casa).

    • fernando ferreira de Sousa on 31 de Outubro de 2012 at 15:55
    • Responder

    Dicas

    A cuklpa morre sempre solteira. Ninguém quer assumir responsabilidades, mas todos sabem quem é o culpado. O culpado é o ditador, que na ânsia de ter mais poder do que Salazar, governava a coutada com o dinheiro de todos nós. Já vimos que este suistema está podre. Portanto acabemos com a podridão. Todos a concorrer apenas com a graduação prifissional. Oferta de escolas. Sim, mas ordenados pelo ministério, sem interferência dos PAPAS!

    • Catarina Z on 31 de Outubro de 2012 at 18:53
    • Responder

    … não me levem a mal por favor…
    vejo muita chat ada que muitas vezes só serve para fofoquice. Enviem uns mails à inspecção a pedir o ponto de situação destas irregularidades. Penso que isso sim será produtivo para nós!
    Gostava de chamar a atenção para alguns comentários e dizer que não acredito que os professores estejam uns contra outros professores, até por alguns podem ter sido selecionados a prevericar e de certa forma são atingidos tambem. O que não podemos é pactuar e passarmos a batoteiros todos só porque alguns já o são.

      • orlando on 1 de Novembro de 2012 at 0:39
      • Responder

      Concordo consigo. Nem todos os diretores e nem todos os colegas das TEIP´S / AUTONOMIA são batoteiros, claro que não; a inspeção separará o trigo do joio…!

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