A recente decisão do Governo de rever a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento representa uma enorme oportunidade para recentrar o ensino nos valores fundamentais que verdadeiramente preparam os jovens para a vida em sociedade. Esta revisão, que reduz os domínios obrigatórios de 17 para 8, sugere uma abordagem mais focada e menos dispersa. Um passo que merece reconhecimento.
Não acredito que haja alguém que não encare a educação para a cidadania como sendo um pilar fundamental de qualquer sistema educativo moderno, sendo ou não lecionada numa disciplina específica. Se tiverem definidos os temas que sejam consensuais, científicos e estruturais de uma sociedade moderna, é fundamental que seja apreendida na escola, pois com certeza poderá oferecer ferramentas essenciais aos alunos/estudantes. A compreensão do Estado de Direito, o funcionamento das instituições democráticas, os direitos e deveres fundamentais, e os princípios do desenvolvimento sustentável. Estes conhecimentos são indispensáveis para formar cidadãos informados, críticos e participativos.
Esta opinião é baseada na experiência de outros países europeus onde é possível verificar que uma educação cívica sólida correlaciona-se positivamente com maior participação democrática, maior coesão social e melhor compreensão dos direitos fundamentais. Em França, por exemplo, o ensino moral e cívico centra-se em valores republicanos consensuais, evitando divisões ideológicas desnecessárias.
Como é sabido esta revisão deve-se ao facto de que nos últimos anos, assistimos a uma deriva preocupante na disciplina de Cidadania. Tentaram transformar esta disciplina num Cavalo de Troia para agendas particulares, não científicas, não consensuais socialmente, que dividem a sociedade em vez de a unir. A introdução de conteúdos, não só controversos, como ideológicos, relacionados com a identidade de género, acabou por gerar um clima de polarização que prejudica o ambiente escolar, perturbando alunos e professores. Porque a instrumentalização da disciplina manifesta-se de várias formas, desde a Imposição de narrativas específicas como a apresentação de teorias como factos científicos estabelecidos, quando na realidade permanecem objeto de intenso debate académico e social, seja através da ausência de pluralismo, com a crescente tendência para apresentar apenas uma perspetiva sobre questões complexas, negando aos estudantes a possibilidade de conhecer diferentes pontos de vista, seja através da Desvalorização do papel parental, com a tentativa de marginalização do direito fundamental dos pais de orientar a educação dos filhos em matérias sensíveis, conforme consagrado na Constituição e na Declaração Universal dos Direitos Humanos, como foi o caso da família Mesquita Guimarães.
Vamos ser sinceros, a educação sexual sempre teve lugar no currículo português, desde os tempos da Formação Pessoal e Social. Ninguém pretende, com esta revisão, deixar de abordar o tema da sexualidade, pois ninguém questiona a importância de abordar estas matérias de forma adequada à idade e baseada no conhecimento científico estabelecido. O único propósito deste Governo, e bem, foi questionar, e retirar do programa, os conceitos ideológicos que negam realidades biológicas básicas ou que promovem uma visão particular sobre questões ainda em debate na comunidade científica. A educação sexual continuará, como sempre foi, nos currículos das diferentes disciplinas, desde o estudo do meio no 1.º ciclo, passando pelas ciências e biologia no 2.º, 3.º e secundário.
Aquilo que deve orientar o ensino é a ciência e não as ideologias. Os alunos/estudantes merecem informação factual, científica, comprovadamente consensual e não construções teóricas apresentadas como verdades absolutas. Cada um de nós pode ter a sua opinião ou crença sobre determinado tema, mas quando a escola abdica do rigor científico em favor de agendas políticas, está a falhar no seu propósito educativo fundamental.
Então qual o caminho para uma disciplina de Cidadania Eficaz?
Uma disciplina de Cidadania verdadeiramente eficaz deve, sobretudo, centrar-se no consenso democrático, focar-se em valores e princípios que unem a sociedade portuguesa, como os consagrados na Constituição da República, deve promover o pensamento crítico, Ensinando os estudantes a analisar informação, a questionar fontes e a formar opiniões fundamentadas, em vez de aceitar passivamente narrativas impostas, ensinar a distinguir ciência de ideologia. Deve respeitar a diversidade de perspetivas, apresentando diferentes pontos de vista sobre questões controversas, permitindo aos jovens desenvolver as suas próprias convicções de forma informada, deve envolver as famílias, reconhecendo o papel central que dos pais devem ter na educação moral e ética dos filhos, estabelecendo pontes de diálogo em vez de confrontação. Deve basear-se em evidência, fundamentando os conteúdos em conhecimento científico sólido e consensual, distinguindo claramente entre factos estabelecidos e teorias.
É precisamente nesse sentido que a revisão em curso oferece a possibilidade de devolver à disciplina de Cidadania e Desenvolvimento o seu propósito original: formar cidadãos preparados para participar construtivamente na vida democrática. Este passo em frente, significa abandonar experiências sociais controversas e regressar aos fundamentos que verdadeiramente importam.
Os nossos estudantes enfrentam desafios reais nas suas vidas, poucas perspetivas de emprego, desinformação digital, polarização social, mudanças no tecido social devido à imigração, por isso, a escola deve prepará-los para estes desafios concretos, não para debates ideológicos que os dividem e confundem.
A educação para a cidadania pode e deve ser um fator de união nacional, não de divisão. Congratulo o Governo por ter promovido esta revisão que privilegia o essencial sobre o acessório, o consensual sobre o controverso, o científico sobre o ideológico.
É tempo de regressar ao essencial e devolver à escola a sua função primordial, educar, não doutrinar.
Alberto Veronesi



17 comentários
Passar directamente para o formulário dos comentários,
Tanta desonestidade intelectual…
E para fazer tudo isto não é preciso uma disciplina autónoma que, sendo criada, dá a ideia de que nenhum professor trata de assuntos para além da temática da sua disciplina…
Vão guardar porcos no Alentejo.
Submissos pela tutela que levais com as mocas autárquica/diretoria, que trilhais os desígnios que vos continuam sendo impostos e abanais os vossos rabiosques . Mantende o elevador ascendente da avaliação para sempre nas excelências divinais- Nunca reconsidereis, pondo em causa o vosso umbigo e a arrogância/ganância dos autoritarismos. do vosso curral. AI man.
Só faltava a homilia do fantástico director/consultor/cronista/comentador/escritor de ficção Veronesi – o verdadeiro laranjinha de serviço sempre pronto para lamber botas
tanta falta de memória. Alguém se lembra desta disciplina extinta?
https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/53015/3/29430.1.pdf
Em escolas portuguesas, o “Desenvolvimento Psicológico e Social” (DPS)
CIDADANIA era:
-Punir os alunos indisciplinados
-Reprovar os alunos que não estudassem
Isto sim era uma lição de Cidadania.
Vai passar a haver uma disciplina de PornHub patrocinada, fomentada e leccionada pela manada do Chunga, que tanto pulula por aqui?
O Sr. Veronesi na demanda laranja. Como Diretor de um agrupamento fica-lhe muito mal a manifestação de apoio a uma demanda que diz ser de limpeza ideológica. Na sua escola não há alunos transgénero, homossexuais, não-binários pois a ideologia do Sr. Veronesi (essa sim uma ideologia baseada na discriminação e no preconceito) não o permite. E é esta gente que dirige agrupamentos de escolas.
Não concordando eu com parte do arrazoado, cá temos grande parte do lixo de esquerda a comentar. Gente fascista e abjeta, porque não tolera tudo o que não sejam os seus ideais. Pelo menos são coerentes, pois seguem a ditadura esquerdalha. O tio José iria adorá-los.
A caminho da assembleia vão …
Levados levados vão …
Já você é LIXO da direitalha, que não respeita os Direitos Humanos e a individualidade de cada um. Meta-se lá na sua caverna, de onde nunca deveria ter saído.
Eu respeito os direitos de todos, começando pelos da maioria. Tu, meu salazarento, não respeitas nada além da tua ideologia anti-democrática e opressora de quem pensa diferente de ti.
Defeco na tua postura e de outros como tu, que querem impor agendas minoritárias que ninguém vos encomendou aos outros .
O teu espírito salazarento e odioso é bem visível no que escreves, intolerante e ditador, asco das bolhas hipócritas e cínicas.
Se não fosses ridículo, que profissão gostarias de ter?
Aposentado há 15 anos, mas ainda lendo alguma coisa sobre Educação, esperava mais de si, sr. Veronesi…
Mas, já agora, lá aparecem, como na guerra da Ucrânia-Rússia, quem não aceita tudo o que sr. Zelensky diz, é Putin, aqui, também quem não está com Veronesi, é “lixo de esquerda a comentar”, não é sr. John Wayne? Enfim, é o que temos… “Lá vamos, cantando e rindo”…
Não, porque eu mesmo não estou com o sr. Veronesi. Apenas sinto asco de proto-ditadores, daqueles cuja opinião e/ou visão do mundo é a única, certinha e direitinha.
Quem não vai cantando nem rindo são os meus alunos refugiados da Ucrânia, porque deixaram o seu país e, lá, irmãos, pais, mães…
Zelensky, que por acaso também é Vladimir, fez uma lei para impedir que a investigação à corrupção ( barrou a investigação na Ucrânia) concluísse que todos os elementos do seu governo eram corruptos incluindo o próprio ZELINHAS(o rei do pagode).
O povo saiu, em peso, à rua exigindo a sua cabeça ( a cabeça do zelinhas). Quase ninguém , no mundo ocidental, soube de nada. As televisões e as redes sociais tentaram encobrir isso tudo.
Há muito que existe um assassino fratricida, fora de prazo de validade, numa guerra por procuração entre USA e EUROPA . Mas lá continua ele a matar pessoas jovens do seu país e do país irmão .
É claro que, pouco ou nada, se pode fazer numa guerra perdida, devido a extrema superioridade, desde o começo.
Lá está !
Os Ucranianos e as baratas tontas mundiais continuam a fingir que a Rússia vai perder a guerra e a dizer isso seus povos.
A França está um barril de pólvora. Só falta aproximar o primeiro fósforo e este está quase a chegar.
Logo que o senhor Manuelle Macrone decida, definitivamente, despachar os jovens franceses para a guerra na Ucrânia e eles começarem a voltar em carreira de formigas, dento de 4 tábuas , recambiados por russos, vão ver um barril a explodir.
Ideia para os enviar soldados da NATO para defender a Ucrânia não lhe falta. Os filhos dele não vão para lá . Essa é a cidadania de Emmanuel Macron.