Não, o Ministério da Educação não é (nem nunca foi) um “Ministério dos Professores”! – Pedro Barreiros

 

Ciclicamente, surgem discursos que ganham força não pela precisão, mas pela simplicidade com que distorcem realidades complexas. Um desses discursos afirma que “há 50 anos temos um Ministério dos Professores, mas nunca tivemos um Ministro dos Alunos”. À primeira vista, a frase pode parecer provocadora; no entanto, esconde uma visão redutora do papel do Ministério da Educação e encobre os verdadeiros motivos e interesses de quem a profere.

Antes de mais, importa esclarecer o óbvio: o Ministério da Educação deve ser uma estrutura orientada para o desenvolvimento de políticas públicas dirigidas a todos os intervenientes no sistema educativo: professores, dirigentes, famílias e, sobretudo, alunos. O seu objetivo central é assegurar o direito à educação, o que implica desde a valorização dos profissionais até à promoção do acesso, permanência e sucesso dos estudantes. Reduzir o Ministério a uma suposta “estrutura sindical dos docentes” é um erro, tanto conceptual como factual.

A valorização dos professores, frequentemente apresentada como um privilégio corporativo, está longe de ser um favor. Trata-se, na verdade, de uma condição essencial para o bom funcionamento do sistema educativo. Nenhum país no mundo alcançou bons resultados sem investir seriamente na formação, nas condições de trabalho e na remuneração dos seus docentes. Fortalecer os professores é fortalecer os alunos, porque uns não existem sem os outros.

Não, o Ministério da Educação não é (nem nunca foi) um “Ministério dos Professores”!

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10 comentários

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    • Mainada on 12 de Maio de 2025 at 16:03
    • Responder

    Não sei quem proferiu a dita frase e gostaria de saber porque é bom conhecermos os nossos inimigos. Essa frase, além de hiperbolicamente falsa, é um absoluto nojo, vinda de alguém que tem voz pública, seja quem for. Não vou dizer que merecia a forca, mas…

    1. Foi este senhor, nada credível que cada vez que cada, não o consegue fazer sem ser demagógico eas suas palavras nada coincidem com a realidade.

      https://www.publico.pt/2025/05/07/sociedade/entrevista/ha-50-anos-ministerio-professores-nao-ha-ministro-alunos-2132162

    • Agnelo on 12 de Maio de 2025 at 16:38
    • Responder

    O ministério tem de ser dos professores, mas primeiro tem de ser dos alunos.

      • Mainada on 12 de Maio de 2025 at 16:41
      • Responder

      Porque é que primeiro tem que ser dos alunos? O que é que os alunos fizeram para merecer essa preponderância?

      • Verdades on 12 de Maio de 2025 at 18:06
      • Responder

      O ministério tem de ser da Educação. Nunca foi dos professores, aliás muito pelo contrário. E não pode ser dos alunos. Tem de ser da Educação, o que implica respeito e ação por todos os intervenientes.

      • Escola = fardo on 12 de Maio de 2025 at 19:06
      • Responder

      Sempre foi para tudo, para os “maninos”, os papás (como dizia a outra, perdi os professores mas ganhei os pais)…menos para os professores. Para os alunos? Os alunos têm mais é q ter educação em casa (mt por falta da incapacidade dos pais em educar) e ganharem hábitos e métodos de trabalho. Esta mentalidade da escolinha para os meninos é q tb ajudou a que milhares se fartassem e batessem com a porta. Não vejo a hora de deixar de atirar estes “maninos” e papás que falham na educação ao filhos como varas verdes.

    • zé das couves on 12 de Maio de 2025 at 19:04
    • Responder

    Estão todos profundamente errados! Se lerem o programa do CHEGA o que tem de ser é o Ministério do Ensino! CHEGA

      • FrankieAT on 14 de Maio de 2025 at 15:09
      • Responder

      O Chunga tem algum programa em alguma área?

    • Indignado on 14 de Maio de 2025 at 0:05
    • Responder

    Sinceramente, começo a questionar se o Ministério da Educação serve os Professores ou os Alunos. Uma coisa, no entanto, parece-me evidente: os comportamentos inaceitáveis — que por vezes escalam para a violência verbal e até física — por parte de alunos contra professores têm, na prática, consequências nulas. E o mais preocupante é a rapidez com que surgem desculpas esfarrapadas: atribui-se a culpa à vida difícil em casa, ao bairro problemático, à etnia, ou a qualquer outro fator externo que permita desresponsabilizar o agressor.

    Contudo, quando a situação se inverte, a reação é implacável. Nem falo de agressões físicas — já impensáveis nos dias que correm — mas basta uma palavra mal colocada, ou até a simples alegação de que foi proferida, para que o professor seja imediatamente julgado em praça pública, muitas vezes sem acesso a uma defesa justa. A presunção de inocência é esquecida, e a carreira de um docente pode ser arruinada por um boato.

    Durante a minha formação profissional ouvi, vezes sem conta, as narrativas da vitimização do “bom selvagem” à la Rousseau — como se o aluno, por ser oriundo de um meio social difícil, estivesse automaticamente isento de responsabilidade. Mas a realidade do terreno é bem diferente. A escola tornou-se um palco de darwinismo social, onde impera a lei do mais forte — e, cada vez mais, o mais forte é o aluno indisciplinado. O professor, que deveria ser uma figura de autoridade e liderança, vê-se humilhado, questionado e, muitas vezes, silenciado.

    Quanto mais o professor se verga perante os alunos — seja por medo, por falta de apoio institucional ou por imposição ideológica — mais os papéis se invertem. De orientador e exemplo, torna-se alvo e vítima. A sua autoridade é desfeita, a sua palavra desvalorizada, o seu papel desfigurado. E é neste ambiente que esperamos formar cidadãos conscientes, críticos e participativos?

    A verdade é que a ausência de autoridade nas escolas gera um efeito cascata. Sem regras firmes, sem disciplina clara, os alunos crescem sem noção de limite. A indisciplina instala-se, o desrespeito multiplica-se, e a violência normaliza-se. Muitos destes jovens acabam por sair da escola sem qualquer capacidade de se integrarem numa sociedade baseada no respeito mútuo, na legalidade e na responsabilidade. Em vez de cidadãos, formamos rufias. Em vez de pensadores, fomentamos provocadores. Em vez de adultos íntegros, alimentamos potenciais transgressores.

    A escola, que deveria ser um espaço de construção cívica, transforma-se num repositório de tensões sociais e num laboratório de impunidade. A indisciplina não é apenas um desafio educativo — é um prenúncio de falência social. Se os alunos não aprendem a respeitar a autoridade legítima no contexto escolar, dificilmente o farão no resto da vida. E quando essa falha se generaliza, os alicerces da vida em comunidade ficam comprometidos.

    É, por isso, urgente devolver ao professor o seu estatuto de autoridade. Não se trata de um retorno ao autoritarismo do passado, mas de um reconhecimento firme e institucional do seu papel insubstituível na formação das novas gerações. Sem esse reconhecimento, continuaremos a assistir à degradação da escola pública, à desmotivação crescente dos docentes e à preparação de futuros adultos sem rumo, sem valores e sem respeito pela lei ou pelos outros.

    • FrankieAT on 14 de Maio de 2025 at 15:08
    • Responder

    Ai é sim senhor. A Educação, em Portugal, tem-se resumido aos professores. Tudo o resto é lateral

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