Posturas

MEC reitera que não haverá despedimentos nem mais horas de trabalho para os professores

 

 

Se a FNE conseguiu importantes declarações do MEC em plena avaliação da troika (apesar de serem dadas pelo secretário de estado) a Fenprof além de não ter conseguido nenhuma declaração do género por se ausentar da reunião aposta no clima de terror que nesta altura pode ainda pode ser mais prejudicial.

É que os “escurinhos” podem perder a paciência de tanto ouvirem o Mário Nogueira falar no aumento da carga de trabalho, no fim das reduções por idade e na mobilidade especial e ainda se lembram de lhe entregar esses presentes.

 

O secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, Casanova de Almeida, reiterou nesta terça-feira à Federação Nacional da Educação (FNE) que “não haverá despedimentos de professores, nem colocação em mobilidade especial contra a vontade do próprio, nem aumento do horário de trabalho dos docentes”, indicou ao PÚBLICO o secretário-geral da FNE, João Dias da Silva.

O ministro da Educação, Nuno Crato, já o afirmara no Parlamento, mas continua sem se saber que medidas irá adoptar para reduzir despesas na educação no âmbito do corte de quatro milhões de euros nas funções sociais do Estado, que está a ser discutida com a troika na sétima avaliação ao cumprimento do memorando de entendimento, que ontem se iniciou.

Casanova de Almeida indicou à FNE que o ministro convocará uma reunião com os sindicatos depois de concluída a avaliação da troika, o que poderá acontecer dentro de duas ou três semanas.

Nuno Crato iniciou ontem uma visita de cinco dias à China. A sua ausência levou a que a Federação Nacional de Professores (Fenprof) tenha recusado hoje reunir-se com Casanova de Almeida.

Numa nota à comunicação social, a Fenprof diz que “a natureza política” da reunião que tinha solicitado exigia que fosse o ministro a participar, tendo em conta “a transversalidade das matérias” a abordar e o “nível de informação e compromisso político pretendidos”, o que foi reiterado numa carta dirigida a Crato que a federação de sindicatos entregou hoje no ministério, onde solicita o agendamento de um novo encontro.

“É o ministro que tem de debater com os sindicatos a situação actual da educação, nomeadamente numa altura como esta em que as incertezas são enormes”, frisou ao PÚBLICO o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira.

Para este dirigente sindical, os compromissos assumidos por Crato, e hoje reiterados por Casanova de Almeida à FNE, não chegam para diminuir a apreensão entre os docentes. “Não vão aumentar o horário de trabalho para 40 horas, mas estão a preparar-se para mexer no tempo lectivo dos professores”, denuncia.

Entre os cenários que, segundo Nogueira, estarão a ser equacionados contam-se o aumento da componente lectiva que hoje é de 22 horas (num horário semanal de 35 horas); o fim das reduções de horário para os professores com mais anos de docência; e o aumento para 60 minutos do tempo de aula, conforme preconizado pelo FMI — que, num relatório divulgado em Janeiro, aconselhava a dispensa de 50 mil efectivos (professores, auxiliares e outros) da área da educação.

A concretizar-se este último cenário, representará um acréscimo de quatro tempos lectivos por docente, o que levará também à dispensa de mais professores contratados, frisa. Segundo Dias da Silva, estas hipóteses não foram abordadas na reunião de hoje, mas foi dito ao secretário de Estado que a FNE “não aceitará que se mexa na composição do tempo de trabalho dos professores”.

 

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9 comentários

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    • Vítor Agostinho on 27 de Fevereiro de 2013 at 7:43
    • Responder

    Cada um tem a sua forma de ver as coisas. Embora a FNE tenha sido por vezes demasiado branda com o MEC, revela uma postura responsável. Outros há, com a política da vitimização e de ” terra queimada” , que têm os resultados que se vê. Lá vão cantando e grtiando para conseguir quase sempre uma mão cheia de nada! Só espero que as palavras ditas a João Dias da Silva não sejam um embuste. A credibilidade de alguns começa a ser sériamente duvidosa. Vamos ter fé que o líder da FNE não tenha sido enganado!

      • Elisabete Maria on 4 de Março de 2013 at 0:34
      • Responder

      Sinceramente, eu espero que o que foi dito NÃO SEJA VERDADEIRO!!!!

      Casanova de Almeida diz: “Não vão aumentar o horário de trabalho para 40 horas, mas estão a preparar-se para mexer no tempo lectivo dos professores”.

      Ou eu sou muito leiga ou ele colocou em cima da mesa o despedimento do resto de professores contratados e atira para horários zero milhares de professores…

      Quanto aos que como disse “Lá vão cantando e gritando para conseguir quase sempre uma mão cheia de nada…” São os mesmos que a própria Troika no seu último relatório referiu como um Grupo de Sindicatos FORTES…

      A única pena que tenho é que quando esteve a AVALIAÇÃO em cima da mesa se tenha conseguido uma PLATAFORMA ÚNICA sindical e agora quando está em cima da mesa o maior despedimento de professores (contratados, é verdade, os restantes vêm a seguir) e o enterro da nossa educação haja tantas divisões…

    • Migas on 27 de Fevereiro de 2013 at 9:57
    • Responder

    É por estas e outras que os professores são mal defendidos… como é possível o Arlindo abrir um post sobre a atuação de um sindicato? Isto é o que o miniostério quer, dividir para reinar…. Arlindo em vez de falares em pizzas, pensa como é que deveriam ser organizados quem defende os professores… deveria ser um único sindicato, para acabar com os tachos daqueles que não querem fazer nada, por isso estão sentados numa secretária numa sede de sindicato…

    • ML on 27 de Fevereiro de 2013 at 14:49
    • Responder

    Claro! Deveria existir uma “Ordem dos Professores”, em que a sua função sera defender os interesses de TODOS os professores!!

    • Paulo on 27 de Fevereiro de 2013 at 15:22
    • Responder

    Nesta notícia descortinam-se 21 (VINTE E UM) sindicatos de professores. É necessário dizer mais alguma coisa?

    http://cms.educacao-fisica-e-desporto.webnode.pt/news/quantos-sindicatos-de-professores-existem-/

    • JCP on 27 de Fevereiro de 2013 at 18:10
    • Responder

    Ò Arlindo, perante esta notícia:
    “Entre os cenários que estarão a ser equacionados contam-se o aumento da componente lectiva que hoje é de 22 horas (num horário semanal de 35 horas); o fim das reduções de horário para os professores com mais anos de docência; e o aumento para 60 minutos do tempo de aula, conforme preconizado pelo FMI — que, num relatório divulgado em Janeiro, aconselhava a dispensa de 50 mil efectivos (professores, auxiliares e outros) da área da educação.

    A concretizar-se este último cenário, representará um acréscimo de quatro tempos lectivos por docente, o que levará também à dispensa de mais professores contratados, frisa Nogueira. Segundo Dias da Silva, estas hipóteses não foram abordadas na reunião de hoje, mas foi dito ao secretário de Estado que a FNE “não aceitará que se mexa na composição do tempo de trabalho dos professores”.”

    Atento à parte final, o que foi a FNE fazer ao ME? Não foram abordadas???? O João não tem língua para perguntar, preto no branco????Não aceitará? E não foram abordadas????

    • LENA on 1 de Março de 2013 at 11:32
    • Responder

    Continuamos a perder de forma descarada direitos adquiridos…….quando vai acabar esta espiral destrutiva da nossa classe?

    • josé on 3 de Março de 2013 at 14:23
    • Responder

    O que foi a Fne fazer ao Ministério? Nada! E se outros estivessem o contributo era o mesmo! NADA! O trabalho dos sindicatos tem-se limitado à defesa de uns lugarzinhos que proporcionam a pssibilidade de ” farie niente” para o qual contribui um séquito de profressores imbecis!

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