Uma das coisas mais divertidas nas contradições ideológicas das escolas é ver os que defendem que os alunos “excelentes” devem ter as notas exibidas ao mundo”para seu bem” (e elas não são obtidas com comparação), em quadros de emulação, que, ao mesmo tempo, acham que as notas dos “excelentes professores” devem ser altamente secretas….
E, nem com a Comissão Nacional de Proteção de Dados, a dizer que as devem entregar aos outros avaliados, o fazem…..
E dizem e teimam, contra a lei e pareceres feitos por Juízes Conselheiros do Supremo Trinunal Administrativo, que não devem ser publicadas, divulgadas, ou sequer comunicadas, aos que são puxados para baixo por esses “ilustres profissionais” terem excelente ou muito bom.
Os argumentos peregrinos para exibir quadros de mérito dos alunos não justificariam fazer quadros de mérito dos “celentes” docentes do percentil?
Eu gostava de saber quem são os excelentes professores da minha escola e, por exemplo, se, entre eles estão os que apoiaram o plágio do diretor anterior, em apatia na participação nos órgãos.
Como alguém pode ter 10 na sua avaliação (ou excelente), que implica nota alta no item participação, a atuar anos com comportamentos que levaram à dissolução dos órgãos em que (não) agiu?
A nota dos alunos não é privada (mas só a eles diz respeito porque não afeta outros), mas a dos professores, que lha atribuem (que afeta a de outros por comparação em quotas com efeitos na carreira e salário), é secreta.
Não é, mas as escolas incumprem a lei.
O desvalor de menores de idade é público, o de adultos responsáveis é secreto e impenetrável, até para reclamar ou recorrer na defesa de direitos.
E nem se comunica a quem tem prejuízo com ela…..
Os quadros de mérito supostamente são coisa boa, mas para os professores, que defendem tal coisa, o “mérito” é segredo….
É praticamente impossível não se ficar atordoado com notícias como as que vieram a público nos últimos dias, dando conta de certos actos bárbaros, ilustrativos da bestialidade humana,completamente desprovida de empatia pelo outro:
– Onze elementos dos Bombeiros Voluntários do Fundão estão acusados de várias agressões, entre as quais, violação sexualcolectiva e coacção sexual. Essas agressões, gravadas porcâmaras de vigilância e pelos próprios agressores, terão sido perpetradas contra um jovem de dezanove anos de idade da mesma corporação. Alegadamente, um dos agressores desempenhava inclusive o cargo de “Chefe” na citada instituição;
– Dez militares da GNR e um agente da PSP estão acusados de exploração/escravização de imigrantes. Segundo um relatório publicado pela Polícia Judiciária em 25 de Novembro passado:
“Em causa está uma organização criminosa que controlava centenas de trabalhadores estrangeiros, a maioria em situação irregular em Portugal.
Através de empresas de trabalho temporário, criadas para o efeito, aproveitava-se da vulnerabilidade dos mesmos, explorando-os, cobrando alojamentos e alimentação e mantendo-os sob coação através de ameaças, havendo mesmo vários episódios de ofensas à integridade física.
Ao longo de vários meses, a PJ realizou inúmeras diligências investigatórias que permitiram obter indícios e elementos incriminatórios, bem como traçar o quadro geral do funcionamento deste grupo violento, de estilo mafioso.”
Tanto no primeiro caso, como no segundo, dominam a maldade, a crueldade, a violência e as agressões, praticadas contra seres humanos em situação de incapacidade de defesa e/ou de fragilidade, o que torna a cobardia e o sadismo destes agressores em algo absolutamente monstruoso e repugnante.
No caso dos bombeiros do Fundão, e ao que tudo indica, a maldade e a crueldade terão sidopraticadas de forma gratuita,para gáudio e divertimento dos agressores.
No caso dos militares da GNR e do agente da PSP,terão sido praticadas, sobretudo, com o objectivo de enriquecimento ilícito, à custa da escravização de seres humanos.
Em ambos os casos, os alegados agressores não são crianças ou jovens,eventualmente sem noção das consequências ou da gravidade dos actos praticados. São adultos. Adultos.
São adultos, em quem, à partida, se deveria poder confiar ecom responsabilidades sociais acrescidas, uns enquanto bombeiros, os outros enquanto agentes de autoridade.
Estes dois acontecimentos, onde estão bem espelhadas a monstruosidade e a perversidade de alguns pretensos seres humanos, não pode deixar de nos preocupar, mas, tambémenvergonhar, a todos, enquanto cidadãos, enquanto agentes educativos e enquanto mães ou pais…
No sentido anterior, não podemos ignorar nem escamotear nenhuma das bárbaras agressões recentemente conhecidas, sob pena de nos tornarmos potenciais cúmplices, coniventes com manifestações de abominável violência.
Admitindo que, em ambos os casos, alguns dos alegados agressores possam ser pais, que exemplo estarão a dar aos seus próprios filhos?
Como conseguirão encarar os seus próprios filhos?
Subjugar, agredir e/ou humilhar costuma ser típico de criaturas monstruosas, más, cruéis, selvagens, que não são dignas de serem apelidadas de “humanas”.
Há que ter a coragem e a frontalidade de reconhecer a existência de tais criaturas e de defender que tudo deverá ser feito para as erradicar do mundo onde vivemos, desde logo, afastando-as, para sempre, de todas as funções públicas ou de interesse público que exerciam e punindo-as legalmente por todos os crimes praticados.
Convirá não esquecer que a credibilidade e a idoneidade das instituições onde militam os acusados também dependem do anterior.
O pior que poderá acontecer a estas vítimas é serem duplamente penalizadas:
– Penalizadas por a sua dignidade ter sido vilipendiada e penalizadas por não verem a Justiça ser aplicada…
Da dor já ninguém as poderá livrar, mas que, pelo menos, consigam ver punidos os seus brutais agressores…
Não podemos deixar que o mal triunfe, não podemos deixar que o mesmo se “normalize”. Não é possível ficar em silêncio perante tamanhas aberrações comportamentais, opostas à racionalidade e à humanidade.
Hoje as vítimas são as que se conhecem, amanhã poderemos ser nós ou algum dos nossos… O mal não acontece só aos outros…
Afinal, o “homem das cavernas” não desapareceu. Anda por aí e pode revelar-se nas mais variadas circunstâncias…
A “civilização” ainda não conseguiu anular a perversidade e a maldade patentes em algumas mentes ditas “humanas”…
Afinal, anatureza humana nem sempre é naturalmente boa, como defendia Rousseau: “O homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe”…
Ainda que todos os acusados possam gozar do princípio jurídico da presunção de inocência, à luz do que já se conhece, torna-se praticamente impossível acreditar que nestes dois episódiospossam existir efectivos “inocentes”…
Inocentes só mesmo as vítimas…
A “normalidade” não pode ser isto…
Estamos a criar monstros, em vez de seres humanos?