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A falta de professores nos QZPs 7 e 10…

Este artigo é um complemento aos números ontem aqui avançados, de forma a tentar perceber a situação caótica de alguns grupos de recrutamento nos QZP’s 7 e 10. Para isso, analisamos o último candidato contratado com horário completo nesse QZP (excluído aqueles que entraram ao abrigo do DL 29/2001), considerando como opositores todos os que estão na lista de não colocados cujo número de ordem seja superior.

De uma forma simples, retiramos das listas de não colocados aqueles que garantidamente não concorreram para o QZP 7  e 10 para horários completos.

E os números dão-nos uma visão mais concreta da falta de professores nestes dois QZP’s:

  • No QZP 7 (Lisboa e Vale do Tejo), há 15 grupos de recrutamento que têm menos de 5% de candidatos, havendo até grupos sem nenhum. Se considerarmos que muitos destes possíveis opositores não concorrem para o 7… então prevê-se uma grande dificuldade nestes AE em preencher todos os horários em falta nas escolas.
  • No QZP 10 (Algarve), são 8 os grupos com menos de 5% de candidatos;
  • Relativamente ao resto do país haverá menos de 6600 candidatos no QZP 7 e 5500 no QZP 10;
  • Os números serão ainda piores se considerássemos os horários incompletos.

Os “paliativos” que se têm usado não são suficientes (alguns aumentam até o problema), uma vez que normalmente representam uma sobrecarga para os restantes professores da escola ou uma abertura para profissionais não docentes que dificilmente contribuirá para uma melhoria da qualidade de ensino.

Esta é uma questão estrutural que poderá ser atenuada se houver um aumento da atratividade da carreira e uma diminuição da precariedade. É urgente criar uma equipa multidisciplinar que analise este problema de frente e se comprometa com soluções justas, claras e duradouras.