Blog DeAr Lindo

Não quero ser Professor – Alfredo leite

Há dias, em Sintra, uma professora disse-me uma frase que me ficou na cabeça:
 
“O meu filho não quer ser professor.”
 
E depois acrescentou:
 
“Ele vê o meu cansaço.”
 
Isto devia preocupar-nos muito mais do que preocupa.
 
Durante décadas, os professores foram vistos como pessoas respeitadas, importantes e emocionalmente estáveis. Hoje, muitos filhos cresceram a ver:
 
• pais exaustos;
• fins de semana ocupados;
• desgaste emocional;
• pressão constante;
• críticas permanentes;
• pouca valorização social.
 
E as crianças aprendem muito mais pelo que observam… do que pelo que lhes dizem…
 
Nenhuma profissão sobrevive muito tempo quando os próprios filhos de quem lá está deixam de a desejar.
 
E talvez o problema mais grave não seja os jovens não quererem ensinar!
 
É começarem a acreditar que cuidar, educar e orientar pessoas… deixou de valer a pena.
 
Sinto esta crise violenta em várias profissões que envolvem pessoas. 

E digo isto hoje, em Vila Real, onde daqui a pouco vou falar para alunos e onde volto a sentir aquilo que os professores sentem todos os dias: jovens cansados, acelerados, muitas vezes emocionalmente perdidos, mas desesperadamente à procura de adultos estáveis que não desistam deles.

Professores precisam de equipas, não apenas de exigências. Precisam de autoridade protegida, tempo para respirar e permissão para continuar humanos.

Porque um professor emocionalmente mal,  dificilmente  consegue ensinar esperança.

Alfredo Leite