O VOLUNTARIADO DOCENTE NÃO PODE SER REGRA IMPOSTA
Nas escolas, é frequente vermos professores a participarem em festas, saraus, desfiles ou outras atividades fora do seu horário de trabalho. Muitos fazem-no de forma voluntária, movidos pelo entusiasmo, pelo gosto em dinamizar projetos ou pelo compromisso com os alunos e a comunidade escolar. No entanto, essa dedicação, por mais nobre que seja, não pode transformar-se numa obrigação implícita nem servir de medida para julgar os colegas que optam por não seguir o mesmo caminho.
É fundamental compreender que nenhum professor é legal ou contratualmente obrigado a prestar serviço fora do seu horário letivo sem compensação. Quando o faz, fá-lo por escolha própria. Exigir o mesmo de todos, direta ou indiretamente, é desrespeitar o direito de cada profissional gerir os seus limites, a sua disponibilidade e o seu equilíbrio pessoal.
A cultura escolar deve promover a colaboração e o reconhecimento mútuo, não a pressão silenciosa ou a comparação moral entre quem diz “sim” e quem opta por dizer “não”. Valorizar o trabalho voluntário não pode implicar desvalorizar a decisão legítima de não o fazer. Cada professor tem as suas razões — familiares, de saúde, pessoais ou até de princípio — para traçar os seus limites.
O verdadeiro profissionalismo está em cumprir com responsabilidade aquilo que é contratual e ético. Tudo o que é dado além disso deve ser visto como um contributo generoso, nunca como uma exigência. A liberdade de escolha deve ser respeitada como parte essencial da dignidade profissional.
Tenho dito!
Carla Feteira