Os adolescentes, já se sabe, são irresponsáveis, imaturos, impulsivos, apaixonados. Movidos por causas, aí estão eles de bandeira em punho e punho em riste rua abaixo e rua acima, eternamente insatisfeitos e convencidos até ao âmago da sua existência não só da sua razão mas também desta invencibilidade, imunidade e imortalidade.
Os adolescentes, já se sabe, vivem para sempre e acrescentam mais um “i” de infertilidade à sua condição eterna.
O mundo é seu e está a saque, disponível e vulnerável e a vitória sempre certa e a razão para tamanha inocência não tem a ver com o epíteto”rasca” de outros tempos que são os nossos tempos quando a injustiça grita e cospe na cara de quem sai à rua mas sim e somente com o desenvolvimento, mais precisamente a falta de desenvolvimento, cerebral.
Trabalhar com adolescentes, estudar com adolescentes, crescer com, entre e para adolescentes é viver e promover o desenvolvimento cerebral hoje e sempre inconformado quando já não se é criança mas nem por isso adulto e a razão pura e simplesmente biológica.
O cérebro reptiliano à nascença, cheio de sobrevivência e instinto, vai desenvolver-se de trás para frente ao longo dos anos para dar lugar ao pensamento e o pensamento, a capacidade cognitiva e de discernimento, a compreensão vem sempre no fim.
E sim, na adolescência o córtex pré-frontal ainda está em vias de maturar, carecendo de orientação, assertividade, compreensão mas também carinho e afecto se, como professores e pais, pretendemos formar esta sociedade do amanhã.
A imaturidade do cortéx pré-frontal é a imaturidade adolescente e o porquê do recurso à amígdala, estrutura cerebral associada às emoções, agressividade e instinto, para a tomada de decisões.
A base da impulsividade e dos comportamentos irreflectidos é assim a razão para dar aos jovens com quem trabalhamos todos dias uma segunda, terceira, quarta e mais oportunidades.
E não, não é nem razoável nem expectável ter nos jovens a nossa capacidade de análise e compreensão, tantas vezes falível e a humildade igualmente basilar no ensino.
Os jovens, os adolescentes, os nossos alunos não são, não podem nem devem ser responsabilizados como se de adultos fossem se a capacidade de pensamento e decisão é dominada por áreas do cérebro em tudo menos capazes.
E se o córtex pré-frontal feminino tem o seu pico de desenvolvimento sináptico por volta dos 11 anos de idade, já com os rapazes o mesmo acontece aos 14 anos de idade, deste modo explicando a maturação cognitiva precoce das alunas de todos os dias.
Acrescente-se a estes processos o excesso de dopamina no cérebro adolescente sempre que gratificado para apreender a necessidade de recompensa imediata em tudo incapaz de esperar e à qual a escola e os professores devem estar atentos.
A recompensa, dependente da relação entre professor e alunos, será proporcionalmente maior à relação entre os professores e demais
dirigentes e não esqueçamos a realidade onde
estamos inseridos.
Valorizar a escola pública, acredite-se ou não, é promover o desenvolvimento do cérebro adolescente e o resultado sempre da nossa inteira responsabilidade.