A 4 de outubro de 2015 António Costa perdeu as eleições que lhe deram acesso a ser primeiro-ministro de Portugal. Desde então tem sido o primeiro-ministro, tendo agora maioria absoluta.
Convém agora definir, de uma forma clara e inequívoca e absolutamente incontestável, o impacto desta governação nos professores. Com factos de fontes seguras. Com uma análise cuidada. Com valores reais.
Uma forma clara e precisa de perceber o valor atribuído a uma dada classe profissional é observar o impacto da inflação na respetiva remuneração.
Um impacto positivo vem traduzido por um impacto nulo ou quase nulo da inflação ou até uma valorização salarial, caracterizando uma valorização da profissão em causa.
Uma profissão pouco valorizada verá o seu rendimento reduzido significativamente, com o impacto da inflação.
O Instituto Nacional de Estatística disponibiliza uma ferramenta para atualização de valores com base no Índice de Preços ao Consumidor – esta ferramenta é de utilização muito discutível, mas apresenta uma forma clara de perceber o impacto da inflação nos vencimentos ao longo do tempo.
A tabela abaixo demonstra os resultados para duas carreiras importantes em Portugal: Professores e Deputados em Regime de Exclusividade, comparando os valores de 2015 e 2023 (exceto para os Deputados cujo valor se refere a 2022 – estou a simplificar a análise e admitir que o valor de 2023 vai ser o mesmo – não é de todo expectável que o valor em 2023 baixe … )
A atualização dos valores desde outubro de 2015 a dezembro de 2022 origina um fator de multiplicação de 1,15665701025858, segundo o INE.
Analisando a tabela algumas conclusões saltam à vista:
O valor mais baixo de aumento necessário (face ao salário atual) para que os professores recuperem o perdido pela inflação acontece para o índice 167 com 167,52 € (apenas uma coincidência este valor!). Tal traduz um aumento mínimo de salário de 10,54%. Ou seja: se aumentarmos o salário de um professor no 1.º escalão de 167,52 € por mês ele fica a ganhar o mesmo que em 2015 quando António Costa entrou para o poder, considerados os efeitos da inflação.
Para os deputados houve uma perda de rendimento face à inflação de apenas 206,34 € (e note-se que nem sequer estão a ser considerados outros suplementos que não a exclusividade).
Ou seja. Um professor do primeiro escalão com 1589,01 € de salário em 2023 perdeu de salário bruto 167,52 €. Um deputado perdeu 206,34 € … mas ganha em 2022 – 4 054,11€ (portanto cerca de 2,5 vezes mais do que o professor).
Um professor do 10.º escalão perdeu, comparativamente, 418,53€ . Em 2015 este professor estaria a 318,79 €de distância de um deputado. Hoje essa distância aumentou para próximo do dobro estando o professor a 580,92 € de distância.
Qualquer professor acima do 2.º escalão perdeu mais dinheiro no seu salário do que um deputado apesar de o seu valor base ser menos de metade. Um deputado ganha hoje mais do dobro do professor do 3.º escalão … e mesmo assim o professor perdeu mais dinheiro desde 2015. 217,51 € contra 206,34 do deputado.
E nem sequer estão a ser discutidos todos os outros suplementos que os deputados têm e os professores não.
Foi assim que os governos de António Costa trataram Deputados e Professores desde 2015.
Portanto quando André Pestana pede 120 € para todos os profissionais de educação está a pedir muito pouco. Nem sequer dá para cobrir a perda por inflação do Índice 167 (ficam a faltar quase 50 euros mensais!).
Pelo menos a inflação desde que António Costa é primeiro-ministro é o mínimo a exigir a António Costa.
O André Pestana não é radical … é meigo no pedir!
Fontes
Atualização IPC
https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ipc
Vencimento de Deputados https://www.parlamento.pt/DeputadoGP/Paginas/EstatutoRemuneratorioDeputados.aspx
Vencimentos de Professores – 2015
https://www.arlindovsky.net/2015/01/17/
Vencimentos de Professores – 2023