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A gasolina vai rebentar com as substituições de professores – Luís S. Braga

rps rui soares - 30 setembro 2011 - LISBOA - manifestacao dos professores no ministerio da educacao, no palacio das laranjeiras - sentem-se lesados na segunda bolsa de recrutamento de professores contratados por não se terem candidatado a horários temporários, mas sim anuais.

 

Sou um privilegiado. Aos 50 anos trabalho numa escola que fica a 100 metros a pé da casa onde moro. Até há 4 anos trabalhava a 40 kms por dia e antes disso cheguei a trabalhar a 100 kms dia. E tive sorte com grupo que escolhi e por ser de Viana, essas escolas “longínquas” eram perto de casa.
Se tivesse ficado na escola anterior, os 1000 kms mensais não seriam já os 100 euros de há 5 anos. Talvez o dobro.
Hoje à tarde estive a falar com 2 colegas contratados, que vêm de Guimarães e de Esposende para Viana, para dar 14 horas. Não lhes contam a segurança social como devia ser por serem 14 horas e não têm subsídio de refeição todos os dias. Um deles gasta 300 euros mês para trabalhar. Paga para trabalhar e não tem a certeza de estar até ao fim do ano porque é uma substituição e o substituído pode curar-se quando as aulas acabarem.
Acaba por andar pelo tempo de serviço e para manter a recusa psicológica de desistir da profissão que estudou.
Não seria altura de “em nome da unidade”, de que ouço falar tanto, arranjar uma compensação para os professores deslocados? (que incluem gente de quadro além de contratados). Ao preço a que gasolina está não vai haver gente para substituições porque as pessoas fazem contas.
Se em cada concurso as pessoas indicam morada, não seria difícil calcular a distância entre casa e trabalho e dar uns cêntimos por Km a quem aceita substituições ou até colocações longínquas.
Podia ser uma compensação pequena mas ao fim de milhares de kms uns cêntimos fazem muitos euros.
Têm consciência que aquele colega ganha líquido de despesas de deslocação 6 vezes menos do que o salário líquido de quem está a substituir (as mesmas 14 horas rendem líquidas, para um, uns 300 euros e para outro 1980).
Isto é moralmente aceitável?