A minha escolha foi certa ao tempo.
Foi desrespeitada nas condições em que foi feita.
A escolha que deve ser lamentada não é a minha de ser professor, é a dos políticos de não respeitar a escolha. Que me exclui caminhos mas fazia sentido se as condições de partida fossem respeitadas. Pacta sunt servanda. Mas os políticos das últimas décadas nem sabem o que isso quer dizer.
Antes de ser professor trabalhei em rádio, no comércio livreiro, em produção de espetáculos. E como professor já fiz outras coisas: formação profissional, estive requisitado num serviço do MAI, gestão escolar e até organizei um campeonato do mundo desportivo.
Além de voluntariado em IPSS e ONG.
Já dei aulas em colégios, centros de formação, escolas TEIP, 15 escolas públicas, uma prisão.
Diversidade de experiências e não apenas “experiência” e não me arrependo das minhas escolas.
Gosto muito de dar aulas. Ainda não me arrependi do dia em que com uma perna partida concorri ao mini concurso (só concorri porque a perna partida me permitia não ter de estar na fila para os papeis).
Durante estes 26 anos fiz muita coisa e evitei a ideia redutora do “professor que só dá aulas porque não sabe fazer mais nada.
Queixo-me do salário, da má organização do trabalho e da falta de respeito. Mas não da minha escolha. A escolha foi sensata e adequada em 1995. Só passou a ser problemática porque foi desrespeitada.