Olhando para o que alguns partidos defendem a palavra “Gueto” salta-me da minha mais profunda e obscura imaginação.
A defesa da liberdade de escolha de uma escola, pública ou privada, através de um “cheque-ensino” ou comparticipação pelo estado pode trazer consequências desastrosas a muitas ou, até, à maior parte das famílias.
As Escolas Públicas recebem todos os alunos que nela se quiserem matricular, desde que exista vaga. Já o mesmo não acontece nas Escolas Privadas.
Como as Escolas Privadas podem escolher os alunos que a frequentam, vamos assistir a uma fuga dos melhores alunos selecionados por essas escolas numa perspetiva de escola mercado, em que os lugares cimeiros dos Rankings escolares lhes trazem lucro. A possibilidade de abertura de novas turmas estará sempre em cima da mesa.
As Escolas Públicas, com cheque ensino ou sem cheque ensino, tem que receber todos os alunos que as Escolas Privadas não aceitarem, não podendo criar meios de seleção. Vamos assistir a um esvaziamento dos alunos com mais potencial, ficando apenas com os alunos que revelem algum tipo de dificuldade ou menos excelentes. Salvar-se-ão as Escolas situadas em concelhos onde não exista ensino privado.
Isto não é ficção. Basta olhar para os países onde este tipo de politica está em execução para ver a taxas de sucesso numas e noutras escolas. As taxas de abandono são muito mais elevadas na escola pública do que na privada. E a taxa de violência escolar, também.
Embora, em teoria, possa agradar a muitos, na prática a maioria vai ver os seu anseios defraudados. Uns terão mais sorte do que outros, porque uns continuam a ser mais desiguais que outros. Os estudos comprovam-no.
Teremos as Escolas Gueto ou uma Escola Pública da qualidade?