A Educação em Portugal continua a inovar. Desta vez, anuncia-se no Secundário a possibilidade de os alunos escolherem as disciplinas que querem estudar. Por enquanto, em turmas-piloto, quiçá no futuro, uma generalização à esfera nacional.
Infelizmente, nos últimos anos, temos constatado uma clara deterioração da qualidade do ensino público, medida por rankings discutíveis, mas que constituem a única fonte de informação comparativa face ao ensino privado (absolutamente credível, dado o exame ser igual para ambos). Por muito que se afirme que as realidades são incomparáveis porque as respetivas sociologias são diferentes, a verdade é que sempre assim foi e a qualidade medida do ensino público já esteve bem melhor.
Com mais esta inovação receio bem que, a prazo, a qualidade média do ensino público ainda se agrave mais. Ou seja, por muito bem-intencionados que sejam os autores destas alterações de percurso estudantil, existe a forte probabilidade da existência de uma fuga generalizada dos alunos às dificuldades de determinadas disciplinas, como a matemática ou físico-química, perante a complacência das direções de escolas (até me arrepio a pensar na escassez futura de certos quadros como por exemplo engenheiros, dada a importância primordial damatemática…).
Mal comparado, faz lembrar os doentes que fazem auto-prescrições à revelia médica! Veremos as consequências futuras de mais estas liberdades originais, mas receio fortemente que se traduzam em facilitismos perniciosos para a Sociedade, porque, infelizmente, as alternativas existentes (os estudos no setor privado) não são acessíveis para a maioria da população e, no longo prazo, agravar-se-ão as diferenças sociais.