Depois admiram-se que não haja pretendentes a professor?
Se se concretizar o aumento do SM para 850€ por mês, os trabalhadores indiferenciados terão ordenados mais elevados do que alguns constantes, neste momento, como ofertas de emprego no site do IEFP para engenheiros de várias áreas.
Os professores contratados com um horário de 18 horas levarão para casa um Salário Mínimo com todas as despesas inerentes à profissão de professor contratado. A falta de professores em algumas zonas do país pode ser justificada com este facto. Um professor para ganhar o Salário Mínimo arranja um emprego perto de casa onde as despesas são menores e está perto da família, não vai para Lisboa ou para o Algarve (ou para fora da sua zona de conforto) ser professor por amor à camisola.
Acho piada quando ouço os membros do ME dizer que querem valorizar a profissão docente e captar os melhores. O ME ou qualquer membro de outro ministério. A administração pública está a cometer o mais “profundo erro desta política de remunerações, com consequências dramáticas para inovação e modernização do país, e para o crescimento económico e desenvolvimento de Portugal. E isto porque sem trabalhadores altamente qualificados essa modernização e inovação, esse crescimento económico e desenvolvimento será impossível. Para além disso, o país despende uma parte importante dos seus recursos em formar nas universidades jovens altamente qualificados que depois o abandonam e vão contribuir para o desenvolvimento de outros países, porque não encontram no seu país remunerações e condições de trabalho dignas. O que está a suceder no SNS devia abrir os olhos aos políticos para esta realidade: os profissionais mais qualificados – médicos e enfermeiros – estão a trocar o SNS pelos grandes grupos privados de saúde, que os atraem oferecendo melhores remunerações e condições de trabalho, com o objetivo de degradar o SNS, o que estão a conseguir devido à inercia do governo e dos partidos políticos, para dominarem o setor de saúde.
Mas tudo isto passou à margem do debate do OE-2022, ou recebeu muito menos atenção e preocupação
que foi dada ao aumento do salário mínimo nacional, quando esta questão é, a meu ver, tanto ou ainda
mais importante que a subida do salário mínimo nacional em 40€ ou mesmo em 185€. E até porque uma
subida muito elevada do salário mínimo nacional, sem que aumentem os outros salários, agrava ainda
mais as distorções salariais.” (Eugénio Rosa)
A falta de professores agudizar-se-á nos próximos anos e as soluções serão as de contratação de qualquer outro profissional “à rasca” ou podemos, mesmo, voltar à contratação à saída do secundário… para esses já não será necessário justificar, apenas, o Salário Mínimo.