(Agora a questionar a sério e não a falar de vanguardas sebastiânicas e cómicas, se a cegueira politiqueira não fosse trágica).
Parece-me que o problema do sucesso educativo (e note-se que disse EDUCATIVO e não ESCOLAR) está a ser mal abordado todos os dias.
As fantasias, hoje instituídas, da inclusão do papelório e da linguagem cheia de perífrases burocráticas centram-se demasiado na escola e na suposta motivação, que esta tem de gerar por iniciativa dos professores, e esquecem, quase totalmente, as condicionantes sociais prévias da origem e família dos alunos e os meios e recursos de agir nelas.
Quantas medidas, universais ou paroquiais, apoios de todas as siglas, adaptações e currículos, avaliações psicológicas, etc, seriam poupadas, para serem gastas com intensidade onde faz falta, se houvesse ação social efetiva e acompanhamento familiar e doméstico?
Falar com um pai ou mãe para o convencer a acompanhar mais em casa e gerir o tempo de estudo e ser firme a mandar estudar não dá para se vir propagandear ser “vanguardista”. Até é muito conservador e reaccionário. Não é giro e “Psico-pedagógico”.
É do domínio simples do concreto e não dos domínios, ou âmbitos, de abstracções com palavras complexas.
Mas, desde o tempo dos escribas egípcios, que quem não estuda, não aprende (talvez até seja assim desde a pré-história).
E pode não estudar por não ter condições em casa, ser pobre, viver no meio de conflitos e outras dificuldades e por muitas outras razões, que nada têm a ver com a natureza pessoal do aluno e “as suas dificuldades” ou não se geram na escola.
Sem resolver essas razões, nada feito. E podem enterrar-nos em papéis e por-nos a fazer relatórios 8 horas por dia.
O caso dos alunos estrangeiros é ainda mais chocante.
Que sentido faz preencher papéis e papéis da “inclusiva” e não ter horas específicas para individualmente ensinar português?
Mas é só um exemplo de muitos dos disparates que se andam a promover por conta do irrealismo fantasista da “vanguarda” inclusiva.
Sobrecarregar a escola de papéis, processos e culpa por “não se adaptar”, arranja um bode expiatório para o mau governo da sociedade, para exibir à mesma sociedade, a qual não gosta de professores.
Realmente, vista com os pés no chão, essa “vanguarda” é demagogia bacoca e agrava o problema do sucesso educativo real. Que há de ser medido ao longo da vida dos alunos e por eles próprios. Quando já ninguém quiser saber dos disparates que Brandão regurgita, ainda se há-de pagar o preço da sua política “vanguardista”.
A relação escola sociedade precisa de uma reforma e, talvez, rever a alucinada legislação, crismada de inclusiva, seja a maior urgência.
Mas sem cair numa politiquice de oposição das supostas “vias” Crato/Brandão. Foi isso que nos trouxe até este ponto.
Entreguem isso a quem sabe…..gente que, nos últimos 10 anos, tenha dado uns 5 de aulas no nível de ensino que vai afetar. Os que estão nessa categoria percebem porque digo isto.
E que não sejam só propagandistas das “modas inclusivas” que fazem coro sobre o que lhes dá jeito.
Ou acham moralmente correto e bom para o país que um diretor de turma tenha de escolher entre gastar os 100 a 200 minutos semanais da função, a preencher papéis sobre o que deixa de ensinar, em vez de falar com pais e alunos sobre como estes podem aprender mais?
Faria sentido deixar de operar ou vacinar para escrever relatórios sobre a costura das cirurgias ou sobre a opinião dos utentes sobre serem picados?
PS: escrevi isto sob a influência da notícia, de hoje, do pai, motorista do metro de Almada, que levou a filha para o trabalho, por não ter quem tomasse conta dela e foi despedido, por ter ficado em casa a acompanhá-la (despedimento que o Supremo decidiu não ter justa causa).
Li isso numa pausa de corrigir testes. Alguns adaptados. De que serve adaptar ou reduzir dificuldade nos casos em que o estudo é zero? E não me venham com a conversa da motivação dos alunos….alguns deles são órfãos de pais vivos.