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A Culpa é de Nuno Crato? Alexandre Homem Cristo Responde

1. Saíram os resultados do TIMSS 2019. Esta é uma avaliação internacional de referência, como o PISA da OCDE, que monitoriza as competências dos alunos do 4º ano a matemática e ciências, de 4 em 4 anos. Em Matemática, os alunos portugueses pioraram claramente, entre 2015 e 2019.
2. A matemática, em 2015, Portugal teve score de 541. Em 2019, caiu 16 pontos, para 525. Este score é até inferior ao de 2011 (532). Pioria não foi só o anular dos excelentes resultados de 2015, mas queda profunda. Em Ciências, a aparente pioria não é estatisticamente significativa.
3. No detalhe, observa-se uma queda em competências-chave. No raciocínio, é brutal: 519 (2019), quando antes estava consolidada — 532 (2015) e 531 (2011). Queda também no conhecimento (548 em 2015, 523 em 2019). Seja números, geometria ou dados, a pioria acontece em todos domínios.
4. Isto reflectiu-se no ranking internacional. Em 2015, Portugal teve o 13º melhor desempenho. Em 2019, caiu 8 lugares, para a 21º posição. Isto revela que a pioria em Portugal não foi acompanhada por outros países. Ou seja, é um problema português, não é uma tendência global.
5. Estes resultados espelham os efeitos das políticas públicas do PS na educação desde 2015. Não haja qualquer dúvida: os ciclos do TIMSS estão alinhados com ciclos governativos. Em 2015, o TIMSS foi também o teste de algodão das políticas públicas então implementadas (2011-2015).
6. O TIMSS 2019 testa alunos que fizeram 1º ciclo (2015-2019) sob governo PS. No relaxamento imposto pela eliminação de exames. No desvalorizar das metas curriculares de 2012 (criticadas pelo governo desde a 1ª hora). Sob novas orientações e Aprendizagens Essenciais no seu 4º ano.
7. Do mesmo modo, o TIMSS 2015 testou alunos que fizeram 1º ciclo (2011-2015) sob governo PSD-CDS. Com provas finais de ciclo, com novas metas curriculares, com uma declarada ambição de exigência na aprendizagem da matemática. E num contexto de crise económica.
8. O contraste político entre 2015 e 2019 é absoluto. São duas visões antagónicas em confronto. Já sabíamos. Mas o TIMSS tem a vantagem de clarificar efeitos, porque alunos dessas edições são produto das visões respectivas, realizando 1º ciclo sob orientações políticas específicas.
9. Mais: em 2019, houve condições óptimas para alcançar melhores resultados. Maior orçamento na Educação, mais professores nos quadros, menos alunos (sangria demográfica) e por isso melhores rácios de recursos por aluno, contexto económico de crescimento. Mas resultados pioraram.
10. Então, o que explica a queda em 2019? Duas coisas. Primeiro, a ausência de exames, que baixaram o compromisso de aprendizagem (como a literatura científica avisou que aconteceria). Ao eliminar as provas finais do 4º e do 6º ano, o governo PS promoveu relaxamento nas escolas.
11. Segundo, as alterações curriculares — desde a flexibilidade curricular (gestão de 25% do currículo nas escolas) à rejeição das metas curriculares (acusadas de serem demasiado exigentes), passando por fim pelas Aprendizagens Essenciais, a fasquia baixou estruturalmente.
12. O governo já responsabilizou PSD-CDS/ Nuno Crato pelos maus resultados em 2019 . Pelo exposto acima, a acusação é objectivamente falsa. É só desespero e spin político. Estes alunos começaram escolaridade obrigatória sob o PS e levaram com todas as alterações então efectuadas. E, já agora, pela lógica do PS, em 2015 os bons resultados seriam mérito de quem? De Isabel Alçada? Enfim, é mesmo só para rir.
13. Nota final. Entre 2001 e 2015, Portugal avaliou alunos do 4º ano, com provas de aferição ou exames finais. Desde 2016, o governo acabou com essas avaliações. Por isso, o TIMSS tem a importância reforçada de ser a única fonte de informação fiável sobre os desempenhos no 4º ano.