Os Agrupamentos que mais horários solicitaram estão claramente concentrados nos QZP’s 7 (Lisboa e Vale do Tejo) e 10 (Algarve). Falamos apenas de horários acima de 8 horas, que não foram ocupados nas Reservas de Recrutamento.
O AE das Laranjeiras, em Lisboa, é aquele que mais horários solicitou (20 durante os 10 dias de outubro) e há um óbvio destaque da zona de Lisboa neste campo, mas também o Algarve aparece representado nas primeiras 12 posições (Silves e Portimão).
Parece evidente nesta lista a clara “hegemonia” das escolas dos QZP’s 7 e 10, mas a situação é ainda mais surreal ao percebermos que só a partir da posição 120º começam a aparecer as escolas do norte. (Clicar na tabela acima para ver o quadro completo)
Isto torna evidente que a falta de professores não se manifesta em todo o país da mesma forma. É verdade que há ainda milhares de professores no desemprego e que a norte a sua falta raramente se faz sentir, no entanto parece agora óbvio para todos que a sua escassez é uma realidade nalgumas regiões.
Mas desenganem-se aqueles que acham que esta escassez pode marcar uma mudança radical das políticas educativas: se não houver cedências, aproximação de posições e compromissos a médio prazo, assistiremos brevemente ao recrutamento “avulso” de professores sem qualificação; à ainda maior sobrecarga letiva dos restantes professores existentes nos Agrupamentos ou outros “mecanismos” que apenas afundarão ainda mais a classe docente e a Educação em geral.
Basta recuar poucos anos para se perceber como surgiu a componente de estabelecimento; os 1100 minutos; o fim de pares pedagógicos, estudo acompanhado e área de projeto… as possibilidades são inúmeras e a imaginação não tem limites quando toca a poupar no recrutamento de professores ou a sobrecarregar os poucos existentes.