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É mesmo necessário desinfetar as escolas?

OKAZAKI, ESTADO DE AICHI, JAPÃO. 01/06/2015 LIMPEZA SE APRENDE NAS ESCOLAS DO JAPÃO Durante a Copa do Mundo do Brasil em 2014 foi nas arquibancadas e não nos gramados que os japonses mais chamaram a atenção do mundo. Mesmo depois da sua seleção ter perdido a partida, torcedores japoneses segurando um saco plastico azul realizavam a coleta do lixo da arquibancada. A torcida japonesa recolhia todo o lixo deixando limpa a arquibancada para ser ocupada pela proxima torcida. Esse costume de limpar o proprio lixo na verdade é uma lição que faz parte dos ensinamentos da escola primária de todo o Japão. No Japão crianças da escola primária realizam a limpeza da escola diariáriamente. Aprendem com 6 anos de idade a partir do primário que tudo que os alunos sujam tem que ser limpo por eles mesmo. E esse costume vem sendo assimilado como se fosse uma brincadeira com os colegas de classe. Todos os dias após o horário da merenda escolar os alunos tem quinze minutos para realizar a limpeza, os serviços ja são pre determinados de acordo com o calendario passado pelo professor que orienta onde cada grupo tem que realizar a limpeza nesse dia. Foto dos alunos da escola primária Dyonan da cidade de Okazaki limpando a sala de aula. (Foto : Marcelo Hide/Fotos Públicas)

 

É mesmo necessário desinfetar as escolas?

Apesar das imagens impactantes dos homens vestidos de branco que, sobretudo durante os dois meses de confinamento, andaram a desinfetar vilas e cidades por todo o país, existem dúvidas sobre a eficácia deste tipo de desinfeção, feita com pulverização, não só porque, de acordo com os epidemiologistas, o contacto humano com o vírus a partir de superfícies infetadas é relativamente limitado, mas sobretudo porque o recurso em larga escala à dispersão de desinfetante à base de lixívia pode ter um impacto negativo na saúde de quem o inala.

Logo em março, a diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, afirmou: “Não há nenhuma evidência científica de que estas desinfeções sejam eficazes. Não é prioritário ter trabalhadores a desinfetar ruas. O que vai travar a covid-19 é estarmos distantes uns dos outros.”

Em maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmava que “a pulverização ou fumigação de espaços exteriores, como ruas ou mercados, não é recomendada para destruir o novo coronavírus ou outros agentes patogénicos porque é inativada pela sujidade”.

Além disso, a OMS avisava ainda que esta medida, “mesmo feita no exterior, pode ser perigosa para a saúde humana”, e recomendava que “em caso algum devem ser pulverizadas pessoas” porque “não reduz a capacidade de um infetado propagar o vírus por gotículas ou contacto”. Pulverizar cloro ou outros produtos químicos tóxicos sobre as pessoas pode causar irritações dos olhos e da pele, broncoespasmos e problemas gastrointestinais, alerta a organização.

Por tudo isto, a entidade mundial para a saúde pública não recomendava “a aplicação sistemática de desinfetantes em superfícies por pulverização ou fumigação nos espaços interiores”. “Se for preciso aplicar desinfetantes, convém fazê-lo com um pano ou um toalhete embebido de desinfetante.”

Desta forma, a desinfeção – tal como está a ser feita em várias escolas – não é uma das medidas previstas na diretiva sobre “Limpeza e desinfeção das superfícies em ambiente escolar no contexto da pandemia de covid-19”, publicada em maio pela Direção Geral da Saúde (DGS) em conjunto com as Forças Armadas e a Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE). Este documento refere apenas a necessidade de fazer uma “desinfeção húmida”, com uma solução de hipoclorito de sódio (lixívia).