Caros professores, caros colegas de trabalho da administração pública. O líder do PS, António Costa e, provavelmente, o próximo primeiro ministro demonstrou, uma vez mais, no debate televisivo de ontem, toda a sua arrogância perante os professores. Assunto arrumado, disse ele! Pois aqui está uma postura de intransigência e azedume, sem dar qualquer abertura política para se negociar uma nova etapa da recuperação do tempo de serviço dos professores. Nunca considerei que este assunto fosse apenas dos professores, mas sim de todos os que prestam serviço público a todos os portugieses e que foram severamente castigados no período de intervenção financeira externa, com cortes severos nos seus salários e congelamento das suas carreiras. Está claro, para António Costa que, estando o assunto encerrado para os professores, também, encerrado está, para todos os restantes trabalhadores que prestam serviço público ao serviço do Estado Português. Ele já determinou! E assim se sonega um direito que nos pertence e que de forma arrogante diz ter posto um ponto final. É o esmagar de aspirações a uma melhor condição de vida profissional, é o potenciar do clima de descontentamento, de desmotivação, de frustração de todos os que dedicam o seu trabalho à causa pública. Cada vez mais temo o caminho que, Governo, após Governo tem trilhado sempre na desvalorização dos trabalhadores do Estado. Um caminho perigoso e que já não atrai os mais competentes, os mais capazes, os mais criativos. Os que ainda cá estão, já cansados e fartos de tanta desconsideração só esperam pelos seus últimos anos para se afastarem de vez. Mas pelo que oiço pelas escolas, hospitais, centros de saúde, e tantos outros serviços públicos, o desânimo e o desgaste é enorme. E isto mais cedo ou mais tarde tem um preço, um preço alto que todos nós pagaremos enquanto cidadãos.
A todos nós trabalhadores que sofremos na pele esta grande desconsideração material e social, tantas e tantas vezes, alvo de humilhação política e social e, não menos vezes, maltratados por comentadores nos programas televisivos só temos uma resposta a dar: não desistir de lutar pelo reconhecimento da qualidade dos serviços que prestamos à sociedade, mas sobretudo que a classe política saiba reconhecer que a qualidade, a competência, a dedicação tem um preço, um preço que se chama reconhecimento social e consequente reconhecimento material. Só assim o Estado consegue oferecer aos portugueses serviços públicos de qualidade e competir com o setor privado na captação de trabalhadores mais competentes e mais talentosos.
José Ricardo, Presidente do SPZC