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Sou professora (dos quadros)…

Sou professora (dos quadros)…

 

 

 

 

Sou professora por vocação, nem poderia ser de outra forma, pois só por vocação poderia insistir em continuar nesta profissão. Calcorreei meio país, esforcei-me por melhorar, tentei procurar alternativas…

O meu nome é XXXXXXXXXXXXXX, sou professora de Inglês / Alemão, grupo 330 e sou QZP há 17 anos. Atualmente, encontro-me num quadro de zona bem distante das minhas raízes.

As minhas raízes estão em Viseu. É Viseu que considero o meu porto seguro, é lá que tenho a minha família, os meus amigos, a minha estabilidade emocional, de que tanto preciso. No entanto, nunca pude ficar junto deles, pois fui sempre colocada longe.

Decidi, desde sempre, não desistir, lutar para conseguir melhorar esta minha situação e recentemente nasceu em mim a esperança de conseguir, finalmente, aproximar-me de minha casa. Sendo professora de Inglês, tirei a formação que me permitiu ter certificação para lecionar no grupo 120 – Inglês do 1º Ciclo.

Comecei a trabalhar com crianças de 3º e 4º ano e adorei este novo mundo! São mágicas, amo-as, pois todos os dias trazem um pouco mais de alegria à minha vida. Assim, decidi mudar de grupo para melhorar a minha vida profissional, após vinte anos de serviço.

Decidi… Sim, decidi, mas a minha decisão de nada serviu, pois afinal, ao contrário do que seria expectável, apenas abriram algumas vagas para o grupo 120, no Concurso Interno.

No entanto, como por magia surgiu o Concurso de Vinculação Extraordinária. Abriram 13 vagas para o QZP 03 (Viseu e Aveiro), às quais eu não pude concorrer. É verdade, meus caros, estas vagas são apenas para professores contratados! Porquê? Eu quero muito pertencer ao QZP 03, no grupo 120, e sou muito mais graduada do que a maioria dos professores que irão ficar com esses lugares. Não entendo porque deverei ser ultrapassada por professores com muito menos tempo de serviço do que eu, não entendo porque esperei vinte anos e agora os professores ditos precários me ultrapassam e tornam a minha situação de vida indefinidamente precária. Hoje entram treze, no próximo ano outros tantos e depois mais uma dúzia… E assim os precários terão a sua vida facilitada, trabalharão ao lado das suas casas, enquanto eu aguardo pelo dia que nunca mais chega.

  Sinto-me injustiçada, ultrapassada, enganada por este sistema de concurso! É revoltante ver que, afinal, nós os professores dos quadros não temos qualquer hipótese de melhorar as nossas vidas.

Sou apenas uma professora, para a maior parte serei apenas um número na lista, mas também sou mãe, também tenho família, também tenho direito a ver a minha vida melhorada, após tantos anos de sacrifício.

Sou apenas uma professora, mas há tantos outros na minha situação desesperantemente injusta.

A cada ano que passa e abrindo mais vagas para o concurso extraordinário, maior se tornará a precariedade no interior dos quadros. A grande maioria das vagas que abriram para o concurso extraordinário são do interesse dos professores que se encontram atualmente nos quadros. A abertura de vagas para concursos aos quais os professores dos quadros não podem concorrer subverte toda a justiça do concurso de professores e impede que os professores dos quadros (por norma mais graduados) reduzam a precariedade em que vivem.

Nós, professores dos quadros, estamos condenados a trabalhar longe de casa eternamente. As mudanças de quadro ou de grupo tornam-se apenas miragens que, infelizmente, se esfumaçam assim que nos aproximamos delas.

E os professores contratados? Os professores contratados também devem poder entrar nos quadros, mas com respeito pela lista de graduação.

Os professores dos quadros estão a ser profundamente lesados com este molde de concursos.

Sou apenas uma professora, mas espero que a minha voz se faça ouvir.

Sou apenas uma professora, mas seguramente outras vozes se irão juntar à minha, após a leitura deste texto.

Será que alguém me pode explicar porque é que a lista de graduação deixou de ser seguida nas colocações?

Para quando justiça nos concursos de professores?

 

Uma professora injustiçada