Tu,
Que ensinas os filhos dos outros
E lhes dás a mão
(Tantas vezes só,
tantas vezes gélida)
.
Tu,
Que aos filhos dos outros
Desenhas com firmeza um caminho no chão
(Tantas vezes rasgando espaço
no beco sem saída)
.
Tu,
que adormeces
Sob o peso da letra morta e alheia
(Tantas vezes insana,
tantas vezes feroz)
.
Recorda-te que
A tua humanidade é
Também
um menino desamparado
A quem deves descanso
E paz
.
Por isso
Respira agora
O frio manso da noite estelar
E enlaça com doçura
A mão terna de quem te ama
.
Abraça os teus
Com a força luminosa
Que ainda exala
O teu coração exausto
.
E respira
Respira o espanto
Respira o descanso
Que o silêncio
Deste outro tempo tranquilo te traz