Às vezes, é difícil.
Chegar a casa.
Poisar a mala.
Despejar os sacos.
Escoar a alma das dores dos outros.
Das dores dos outros que são minhas.
Porque em cada mão está um futuro desenhado.
E em mim creem um plantador de sonhos.
Mas, dos meus sonhos,
Quem cuida?
Quem me abre a janela do amanhã
Para, também eu,
Poder voar?
Ser professor, tantas vezes é isto.
A bagagem do mundo a exigir-me descanso.
A pesar-me na respiração das coisas comuns.
A poisar-me áspera na almofada dos meus sonhos felizes.
E, no entanto,
Quando o teu rosto se ilumina
Como a fruta que se abre ao meio
revelando a semente,
Eu sei que me cumpri
No tempo certo do amanhã.
A todos os professores no dia que é seu.