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Sinais dos Tempos

… que não espantam, tendo em conta o elevado número do desemprego.
 

Alguns dos novos funcionários das escolas podem ser tratados por doutor

Com o vagar imposto pela burocracia, os concursos para seleccionar os novos assistentes operacionais que tanto vigiam os recreios como limpam os WC já arrancaram em muitas escolas. Sem surpresa, os directores vêem chegar currículos de licenciados.

 

 

A selecção dos novos 2882 funcionários das escolas já está a decorrer, e entre os candidatos, “estão a aparecer licenciados e até doutorados”, disse nesta quinta-feira Filinto Lima, vice-presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP). “Uma situação que não é nova, adiantou ao PÚBLICO o director de um agrupamento de escolas de Alcobaça, que dois dias após a abertura do concurso já recebeu 60 candidaturas, entre as quais as de duas psicólogas e de uma assistente social.

Sérgio Afonso, director do Agrupamento de Escolas Gaia Nascente, em Gaia, e Gaspar Vaz, que dirige o de Cister, de Alcobaça, não percebem o espanto. Nos últimos anos, já ambos viram licenciados a trabalhar como assistentes operacionais nas respectivas escolas – com Contratos de Emprego e Inserção (enquanto recebiam subsídio de desemprego) ou como tarefeiros (a ganhar 3,20 euros por hora). “Neste caso estamos a oferecer ordenado mínimo, um lugar no Estado, que ainda vale alguma coisa, e um contrato de um ano, ainda por cima renovável. Infelizmente, basta isso para tornar estas vagas muito apetecíveis, mesmo para licenciados”, concorda Paulo Ribeiro, director-adjunto do agrupamento de Escolas de Valbom, em Gondomar.