De facto, o 1º ciclo parece que anda na “berra”!
Tenho assistido a um interesse crescente pelo 1º ciclo, até já se fazem convenções e tertúlias. Fala-se sobre o número de alunos por turma, dos programas, das reformas… Até os Srs. ex-ministros, que na sua altura foram parte do problema, agora surgem com “ideias”… Ele é um corre, corre… Mas para que é que tudo isto servirá? Para onde levará o 1º ciclo?
Enquanto os senhores das “ideias” não se levantarem de detrás das suas secretárias, ricamente ornamentadas por estudos e mais estudos encomendados não se sabe muito bem a quem, não chegaremos a lado nenhum. Enquanto os profissionais, aqueles que todos os dias trabalham em sala de aula, não forem tidos nem achados sobre as reformas, vamos continuar a assistir a uma distorção do 1º ciclo, e não só.
O 1º ciclo necessita de uma reforma de fundo, nas suas bases. Mas essa reforma não pode sair de um qualquer gabinete, tem de sair de uma discussão entre os verdadeiros profissionais, aqueles que todos os dias entram nas salas de aula. São eles que sabem o que está bem e o que está menos bem, são eles que reconhecem as vantagens e as desvantagens da aplicação desta e de outra medida, eles são os especialistas. São reconhecidos por isso? Não. Mas são-no.
São esses profissionais que devem ter um papel ativo na discussão que, agora, parece estar na moda. Cabe-lhes a eles a responsabilidade de trazer a público as alternativas, credíveis, para que se execute uma reforma que, de uma vez por todas, assente nas necessidades que as crianças, a escola e até os governos (pelo menos dizem que sim) precisam para alcançar aquilo que todos querem, o sucesso das nossas crianças. Mas são esses profissionais, que não são ouvidos, que não têm palavra, que se resumem a aplicar aquilo que outros, sem qualquer experiência ou conhecimento real do que se passa nas escolas, têm decidido, que se põem de parte dessa discussão.
Até quando?
Até quando nos vamos manter como meros executores? Até quando o futuro do 1º ciclo vai estar nas mãos e na ponta da caneta de um qualquer burocrata? Porque é que ainda não foi constituída a Associação de Professores do 1º Ciclo? Porque é que têm de sair dos sindicatos as “ideias” de como realizar essa reforma? Porque é que têm de ser ou outros a falar por nós? Porque é que estamos calados?…
Isto não se aplica apenas ao 1º ciclo, há muitos outros grupos que sofrem do mesmo mal…