Blog DeAr Lindo

Opinião – Rui Tiago Filipe

MUDANÇAS (pouco) PEDAGÓGICAS, apenas PORQUE SIM…

 

 
 

Sobre o ANTES, o AGORA e o DEPOIS da EDUCAÇÃO

 
 
Segundo o que diz a minha mãe, aprendi tarde a perceber qual é a esquerda e qual é a direita; e ainda hoje me baralho com as coisas relacionadas com a orientação espacial. Por outro lado, de política, seja ela de esquerda ou de direita, também não percebo muito. Contudo, reservando-me a humildade, penso que sei o suficiente para perceber que neste momento “todos os lados” parecem ter alguma dificuldade em identificar e colocar em prática princípios que connosco se identifiquem e nos orientem.
 
AS MUDANÇAS no sistema de Educação têm sido inúmeras. Desde o momento em que me deram um papelinho (que não sei por mais quanto tempo será válido) onde está escrito que posso ser professor, passaram apenas 6 anos. Neste período, tivemos 3 ministros da Educação, duas reformas curriculares, novas políticas educativas e demasiados confrontos entres os diferentes profissionais que trabalham neste setor.
 
A Educação, os professores, todos os outros profissionais que trabalham neste sistema digno e, principalmente as crianças, sejam elas GRANDES ou pequeninas, precisam de tempo. Tempo para conhecerem e se adaptarem, tempo para pensar e para consolidarem aquilo que fazem e aprendem. De facto, não pode dizer-se que aqueles, lá no topo, não têm criatividade e vontade de mudança. Respeito-os imenso e tento compreender a dificuldade em exercer o seu trabalho nos dia de hoje. Contudo, já dizia Paulo Freire, que para ensinar é preciso querer bem aos educandos. Valha-nos a relativa autonomia que temos para exercer a nossa profissão, o bom senso de cada um, a vontade de auto-aperfeiçoamento e partilha com outros profissionais daquilo que fazemos e vivemos no nosso dia a dia nas escolas.
 
Por outro lado, devemos lembrar-nos: as mudanças FAZEM-SE COM AS PESSOAS e não para elas. Eu posso até querer mudar completamente a sala de estar da casa da minha mãe; isto é, torná-la melhor (na minha opinião, que é muitas vezes subjetiva). Contudo, tenho a certeza que ela prefere participar nesse momento dado que, apesar das minhas boas intenções e porque eu não sou muito bom com a esquerda e com a direita, posso até colocar as plantas no lugar mais isolado e escuro da sala. E remorsos é coisa que eu não quero, principalmente porque nunca tive nada contra as plantas e muito menos contra as crianças que também gostam de respirar. Os diferentes intervenientes que “fazem educação” não devem trabalhar de “costas voltadas”. Os alunos precisam de todos nós para que o serviço que lhes prestamos continue a ser de qualidade; porque o (ainda) é.
 
Há que parar com as experiências avulsas, averiguar mais junto dos professores se estes concordam com as tais alterações e porquê e se, inclusive, for para mudar, DEVEM, em conjunto, BIPENSAR* COMO é que se deve IMPLEMENTAR, gradualmente, ESSE PROCESSO.
 
*porque queremos bem aos outros (ou pelo menos devemos querer); ato de pensar, pelo menos, duas vezes antes de agir.

 

Rui Tiago Filipe
 
Rui_tiago_filipe@hotmail.com
 
Professor do 1.º Ciclo