Houve exames nacionais, mas houve sobretudo ruído. Muito ruído. Ruído político, mediático e institucional, enquanto nas escolas era preciso fazer aquilo que raramente dá manchetes: trabalhar.
No meio do desnorte que se foi percebendo entre MECI, JNE e Eduqa, as escolas tiveram de manter a serenidade, resolver problemas, responder aos alunos e aos pais e garantir que o processo avançava. Não porque tudo estivesse bem, mas precisamente porque havia problemas e alguém tinha de os resolver.
A ansiedade dos alunos e dos pais foi, naturalmente, justificada. Uma classificação pode determinar uma candidatura ao ensino superior, um curso, uma cidade ou até um ano de vida. Era legítimo perguntar, exigir esclarecimentos e procurar garantias. O que não era legítimo era transformar essa ansiedade em licença para ameaçar, acusar ou desrespeitar quem estava nas escolas a cumprir o seu trabalho.
E foi isso que também aconteceu. Houve alarmismo, cobranças indevidas, incompreensões habituais e ameaças explícitas. Como se o diretor fosse o JNE, o professor classificador fosse a Eduqa ou o funcionário da escola fosse responsável pela plataforma nacional. A escola, como último elo da cadeia, acabou por ser tratada como se fosse responsável por tudo aquilo que acontecia a montante.
Entretanto, alguns meios de comunicação social comportaram-se como verdadeiros mensageiros da desgraça, alimentando-se da ansiedade para produzir manchetes, enquanto alguns movimentos perceberam que a indignação é uma excelente forma de ganhar visibilidade. Cada falha tornou-se escândalo, cada atraso tornou-se caos e cada dúvida passou a ser apresentada como prova de um sistema em colapso.
Defender os alunos não é assustá-los. É dar-lhes informação correta, apoio e tranquilidade. E foi isso que muitas escolas fizeram.
Enquanto se discutia quem tinha culpa, as escolas procuravam soluções. Enquanto alguns anunciavam o caos, professores classificavam provas. Enquanto se multiplicavam as acusações, direções respondiam a pais e alunos e tentavam obter esclarecimentos. A posição foi simples: serenidade e resposta eficiente, em vez de alimentar a desorganização vigente e o alarmismo.
Serenidade não significa negar os problemas. Significa não acrescentar problemas ao problema.
Também a atuação inicial do ministro revelou pouca empatia perante o que estava a acontecer no terreno. Houve uma tendência para desvalorizar preocupações que depois obrigaram a ajustamentos e medidas excecionais. Mais tarde, a posição mudou, o que deve ser reconhecido. Um responsável político não tem de acertar sempre à primeira, mas tem de saber corrigir e, sobretudo, não pode transformar a comunicação política em mais uma fonte de ansiedade.
No fim, os exames passarão. A comunicação social encontrará outra polémica e alguns movimentos encontrarão outros alvos. Nas escolas ficará o trabalho feito, as horas extraordinárias, os telefonemas, os emails, os professores pressionados, os alunos ansiosos e as famílias preocupadas.
E ficará uma lição simples, exigir é legítimo, questionar é legítimo, reclamar é legítimo. Desrespeitar não é.
As escolas não precisam de mais ruído. Precisam de condições para trabalhar.
E, enquanto alguns fizeram do ruído uma profissão, houve escolas que fizeram da serenidade uma obrigação.
E trabalharam.
Obrigado a todas elas e eles.