Na passada semana, a propósito de um texto escrito por mim,intitulado: Querem apostar que isto vai correr mal?, houve quem me apelidasse de “velha do Restelo”, considerando-me avessa às “novas tecnologias” e à “escola digital”…
Passada apenas uma semana, e à luz de todas as trapalhadas que já se conhecem, suscitadas pelo novo modelo de classificação dos Exames Nacionais, implementado pelo MECI, pergunto:
– Tudo tem corrido muitíssimo bem, certo?
– Tudo tem corrido de acordo com o previsto, certo?
– O novo modelo de classificação dos Exames Nacionais, patrocinado pelo MECI, tem-se mostrado muito eficaz e inquestionavelmente adequado, certo?
– A parafernália logística necessária para concretizar este novo modelo tem correspondido às expectativas mais positivas, certo?
– Ao longo da última semana comprovou-se que o pessimismo dos “velhos do Restelo” não tem, afinal, qualquer razão de ser, certo?
– Coitados desses “velhos do Restelo”, que não passam deretrógrados, resistentes à mudança e às novas tecnologias, certo?
Naturalmente reconhecendo a todos, e a cada um, o respectivo direito de opinião, em particular os pontos de vista e as convicções divergentes, mantenho, contudo, o que defendi na semana passada:
– A decisão relativa à classificação dos Exames Nacionais, que começou agora a ser implementada, carece de inteligência e de sensatez e ameaça tornar-se num disparate histórico…
E acrescento isto:
– Depois de uma semana caótica, plena de trapalhadas e de incertezas, difundidas um pouco por todo o lado, ninguém com responsabilidades políticas se demite ou é demitido?
– Quem é que assume a responsabilidade por este monumental embaraço?
Depois do que já se viu em apenas uma semana, fica-se com a sensação de que estaremos perante um sistema tomado pela entropia, pelo caos e pela imprevisibilidade…
Dado o anterior, é impossível auspiciar um desfecho feliz para um processo que aparenta ter sido concebido à pressa, de forma improvisada e sem levar em consideração a complexidade de todas as variáveis envolvidas…
E, já agora, haverá por aí outros “velhos do Restelo” ou estarei sozinha no meu cepticismo?
Paula Dias