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Balanço Anual da Educação 2026 – Alfredo Leite

Os resultados saem hoje…

E a primeira frase que muitos professores vão sentir é simples:

“Já sabíamos. Obrigado pelos dados. Agora deem-nos condições.”

Já sabíamos que há alunos mais diferentes entre si.

Já sabíamos que há mais necessidades emocionais, mais dificuldades linguísticas, mais pressão sobre resultados, mais turmas difíceis, mais instabilidade familiar, mais problemas de atenção, mais conflitos, mais ansiedade e mais desgaste.

Já sabíamos que se pede à escola que ensine, inclua, compense, acolha, registe, prove, avalie, comunique, resolva, previna, substitua e aguente.

O que falta não é mais um diagnóstico elegante sobre aquilo que os docentes vivem todos os dias.O que falta é tempo,  estabilidade e equipas completas.

O que falta é uma máquina administrativa que perceba que uma grelha não substitui uma relação, uma reunião não substitui uma intervenção e um relatório não substitui condições reais de trabalho.

Os docentes não precisam que lhes expliquem que a escola mudou.

Eles sabem.

Sabem-no na sala de aula, no recreio, nos corredores, nas reuniões, nos emails, nos telefonemas, nas turmas onde há alunos que chegam sem língua comum, sem sono, sem apoio, sem rotina, sem estabilidade ou sem esperança.

O erro político e social é transformar este cansaço em incompetência.

Não é. É sobrecarga.

É a tentativa diária de manter uma escola humana a funcionar dentro de um sistema que muitas vezes trata pessoas como indicadores, crianças como estatísticas e professores como executores infinitamente disponíveis.

Por isso, quando saírem os dados, convém não fingir surpresa. A escola portuguesa não precisa apenas de mais diagnósticos.

Eu arrisco e insisto em  dizer o óbvio: não se melhora a educação exigindo cada vez mais aos mesmos adultos, com cada vez menos tempo, menos margem e menos condições.

Alfredo Leite