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Alegria por ir de férias? – Alfredo Leite

 

Os docentes são mais que isso …

… há alívio, descarga emocional, saudade dos alunos, irritabilidade residual e uma espécie de silêncio interior depois de meses a funcionar em modo de resposta permanente …

A pesquisa aponta para isto: em Portugal, segundo a nota nacional do TALIS 2024 da OCDE, 26% dos professores dizem sentir muito stress no trabalho, 16% dizem que o trabalho afeta muito a sua saúde mental e 13% dizem que afeta muito a saúde física.

Ao mesmo tempo, 94% declaram satisfação global com a profissão, o que mostra uma tensão muito importante: muitos professores gostam profundamente de ensinar, mas estão desgastados pela forma como têm de ensinar!

Muitos professores demoram dias a desligar porque o sistema nervoso não muda de velocidade por decreto. O fim das aulas não apaga automaticamente meses de vigilância, planificações, reuniões, conflitos, adaptações, avaliações, mensagens de encarregados de educação e decisões sucessivas.

E atenção … “Devia estar feliz, mas sinto que ainda ficou tanta coisa por fazer.”

Professores cuidadores tendem a associar descanso a falha moral, como se parar fosse abandonar os alunos. Mas descanso não é desistência. É manutenção do instrumento de trabalho.

No caso do professor, o instrumento de trabalho não é o quadro, o computador ou o manual… é o próprio sistema nervoso…

 

Alfredo Leite