E não devem ser ditas publicamente, mesmo que sejam verdade.
Ministro da Educação diz que a razão para as residências universitárias se degradarem é serem utilizadas só por alunos de baixos rendimentos
Fernando Alexandre confessou que não está “nada otimista” com o futuro das residências universitárias recentemente renovadas. O ministro confirmou ainda uma “bolsa de incentivo” de 1.045 euros para os estudantes mais pobres do Ensino Superior
No mesmo momento em que o ministro da Educação confirmou um apoio extra de 1.045 euros para estudantes bolseiros no próximo ano, Fernando Alexandre lamentou também as condições nas residências públicas, parecendo apontar que a causa para o deterioramento dos equipamentos é a condição dos alunos mais pobres, mesmo que tenha também defendido que “o contexto em que a pessoa nasce não deve determinar o que uma pessoa pode vir a fazer no futuro”. Em particular, o ministro afirmou que “quando metemos pessoas que são basicamente todas de rendimentos mais baixos a beneficiar do serviço público, nós sabemos que esse serviço público se deteriora”.
Numa cerimónia em Lisboa, na apresentação do novo modelo de ação social para o ensino superior, o ministro da Educação, Ciência e Inovação começou por indicar que “os estudantes bolseiros têm prioridade nas residências e só podem receber a bolsa com o valor do custo do alojamento fora da residência se não tiverem lugar na residência”, e a prática do Estado é “não misturar” e “pôr nas residências universitárias os estudantes dos meios socioeconómicos mais desfavorecidos”.
“E por isso também, já agora, é que elas depois se degradam, por isso é que elas depois não são cuidadas. E é por isso, devo dizer, que pedi ao CNIPES [Conselho Nacional para a Inovação Pedagógica no Ensino Superior] que pusesse a reflexão essas ações, mas confesso que não estou nada otimista. Porque quando metemos pessoas que são basicamente todas de rendimentos mais baixos a beneficiar do serviço público, nós sabemos que esse serviço público se deteriora”, disse Fernando Alexandre, que acrescentou que “é assim nos hospitais, é assim nas escolas públicas”.
“Nós sabemos que é assim. Vamos ter residências todas renovadas que nos próximos anos se podem começar a degradar. Espero estar enganado”, reforçou.
A outra novidade saída do evento é o anúncio de que os alunos mais pobres que cheguem ao ensino superior terão, além da bolsa de estudo, um apoio extra de 1.045 euros por ano ao longo de todo o curso. Este apoio será anual e aplicado aos estudantes do ensino secundário beneficiários do escalão A do abono de família, ou seja, oriundos de famílias com rendimentos mais baixos.