A OCDE alerta novamente para a falta crescente de professores, problema que afeta a maioria dos países membros e também Portugal. Entre 2018 e 2022, aumentou em mais de 30 pontos percentuais o número de diretores que consideram o ensino prejudicado pela carência de docentes, situação agravada pelo envelhecimento da classe.
Em Portugal, a resposta tem passado pela contratação de professores com habilitação própria, sem mestrado em ensino, cuja percentagem cresceu de 1,6% em 2014/2015 para 6,5% em 2022/2023. A OCDE reitera que a valorização da carreira e salários mais competitivos são essenciais para tornar a profissão atrativa e combater a escassez.
As causas estão à vista de todos, os salários reais dos professores têm vindo a perder poder de compra. Em 2023, um docente com 15 anos de experiência ganhava menos 4% do que em 2015, enquanto os professores em início de carreira perderam 10% em nove anos. No mesmo período, o salário médio docente aumentou 14,6% na OCDE, mas em Portugal caiu 1,8%.
Há um ano, a OCDE já recomendava a valorização da carreira e dos salários dos professores para fazer face à falta de profissionais. Volta agora a insistir: “Salários competitivos podem tornar a profissão docente mais atrativa”.