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Como explicar isto aos Alunos?

Em apenas uma semana, os cidadãos portugueses foram bombardeados com notícias, no mínimo, inquietantes e difíceis de assimilar, relativas a putativos actos indignos ereprováveis, alegadamente praticados por alguns concidadãos:

Um alto dirigente da Administração Pública, agora ex-Director Executivo do Serviço Nacional de Saúde, Gandra de Almeida, é suspeito de ter acumulado ilegalmente funções e de ter recorrido a expedientes contabilísticos e empresariais, que lhe terão permitido o recebimento indevido de milhares de euros do erário público… A idoneidade tem que ser muito mais do que isto…

Um “Deputado da Nação”, Miguel Arruda, é suspeito de ter roubado várias malas em aeroportos e de tentar vender em plataformas digitais os artigos obtidos por essa viaO referido Deputado era membro de um Partido Político com assento na Assembleia da República (CHEGA), que tem propalado a sua condição de defensor intransigente da “moral e dos bons costumes”…

Segundo o Jornal Público, em 22 de Janeiro de 2025: Pelo menos nove dos 50 deputados eleitos do Chega já tiveram processos na Justiça. Miguel Arruda é o caso mais recente.”Será caso para perguntar: Que tipo de indivíduos são acolhidos por tal Partido Político, uma vez que um quinto dos respectivos Deputados já teve processos na Justiça?

E pasmemo-nos: Se o cidadão Miguel Arruda vier a usufruir do estatuto de Deputado independente (não-inscrito) verá as suas regalias aumentadas, o que significará que o erário público terá que despender ainda mais dinheiro para subsidiar alguém que, por acaso, é suspeito de roubo

Um Partido Político (Bloco de Esquerda) que, perante asevidências tornadas públicas se viu obrigado, praticamente coagido, a assumir e a reconhecer “erros” e “falhas” no despedimento de mulheres recém-mães

E mesmo que tais despedimentos não tenham sido propriamenteilegais, não pode deixar de se censurar a falta de ética e agritante incoerência evidenciadas por esse Partido Político que, paradoxalmente, muitas vezes, se arroga como acérrimodefensor dos Direitos das Mulheres…

Comprova-se, assim, que o que se apregoa, nem sempre corresponde à efectiva prática

E se a situação não tivesse sido denunciada e tornada pública, lá continuaria o Bloco de Esquerda a perorar, hipocritamente,pelos inalienáveis Direitos das Mulheres

De forma sarcástica e irónica, colocam-se perguntas retóricas:

Partindo do pressuposto de que, pelo menos, no contexto daDisciplina de Cidadania e Desenvolvimento sejam abordados temas da actualidade, como explicar aos Alunos, em particularaos mais velhos (Ensino Secundário), as três anteriores ocorrências?

– Que exemplos de cidadania poderão ser esses?

(Aprender pelo exemplo talvez não seja nada aconselhável, nestas três situações…).

No âmbito da concepção de cidadania activa, como explicar aos Alunos que, apenas numa semana, tenham surgido três casos tão suspeitosos em termos éticos e deontológicos, mas também do ponto de vista legal?

Ainda que alguma das situações ocorridas na última semanapossa gozar do princípio jurídico da presunção de inocência, torna-se praticamente impossível acreditar que nestas histórias possam existir efectivos “inocentes”, mesmo que a Justiça não os venha a condenar

Entretanto, o país vai assistindo a tudo isto, como se a “normalidade” fosse isto

Mas a normalidade nunca poderá ser isto

Como explicar isso aos Alunos?

Como convencer os Alunos de que a normalidade não pode ser isto, quando as evidências lhes demonstram o contrário?

Não nos esqueçamos que os jovens de hoje serão os Governantes de amanhã…

E para “ajudar à festa”, ainda tivemos, na mesma semana, um documento oficial do Ministério da Educação onde, de forma melosa e excêntrica, se apela ao espírito de missão, ao sentido solidário, dos Professores, tentando convencê-los a corrigirProvas-ensaio sem qualquer contrapartida ou remuneração

Perante tanto nonsense, em tão pouco tempo, resta perguntar:

Os disparates serão contagiosos?

Assim, não há quem aguente…

Paula Dias