“Inofficiosa concilia”.
Ensandeceram e tornados sandeu são. “Sanctus Dei”!
“O parlamento aprova medidas sobre direito à auto-determinação de género nas escolas em votação final global. O texto final foi aprovado pelo Partido Socialista, Bloco de Esquerda, Pan e Livre”. (in Observador)
Fica para a História, uma sexta-feira, dia 15 de dezembro de 2023, a irresponsabilidade de gente “ideologicamente perturbada e conceptualmente baralhada”, a priorizar o acessório desnecessário e a conflituar a idiossincrasia de crianças e jovens em formação, sem maturidade e quiçá a tomar decisões irreversíveis de futuro arrependimento.
Visa a medida garantir o direito de crianças e jovens à liberdade de escolha e auto-determinação da identidade de género e visa proteger as suas características sexuais. Votaram contra o PSD, o Chega, a IL e o PCP absteve-se.
Carlos Calixto
E atenção, senhores professor@s, a partir de agora têm mais uma tarefa burocrática e de olhos bem abertos, o “palpitómetro”, para detectar e comunicar “(…) a situação de crianças e jovens que manifestem uma identidade ou expressão de género que não corresponde ao sexo atribuído à nascença”. As escolas, para aumentar a produtividade “da louquice”, vão criar “canais de comunicação e detecção” e identificar um responsável ou responsáveis.
E “voilá”, temos novidades: avaliar a coisa, seja lá isso o que for e der. A avaliação da sinalética da situação, “(…) com o objectivo de reunir toda a informação relevante para assegurar o apoio e acompanhamento e identificar necessidades organizativas e formas possíveis de actuação, a fim de garantir o bem-estar e o desenvolvimento saudável da criança ou jovem”. Uau!
Sorvo cada gole do articulado legal, obstupefacto; coisas de provinciano. E vá de articular com a escola, família, pais, encarregados de educação, representantes legais, e (…) mais e mais “complex”.
Senhores directores, que comecem as obras nas escolas. A modernidade implica plasticidade e adaptabilidade e, como tal, toca de mudar a mentalidade, adaptar e renovar casas de banho, com “retretes e sanitas para a felicidade”; até porque as escolas têm de garantir “(…) que a criança ou jovem, no exercício dos seus direitos e tendo presente a sua vontade expressa, aceda às casas de banho e balneários, assegurando o bem-estar de todos, procedendo-se às adaptações que se considerem necessárias”. E não vai faltar dinheiro.
E nesta salganhada toda até se fala de votar por “amor” contra o “ódio”. Eu me confesso que isto é tudo muito à frente pra mim. Obviamente por limitações intelectuais graves da minha parte em não conseguir alcançar tal genialidade de cabeças tão “de patas para o ar” e mentes retorcidamente evoluídas e adiantadas no anacronismo do tempo fantasista. Sem a preocupação com a idade, hipotéticos traumas de arrependimentos futuros de precipitações e desvarios mal decididos no imediatismo-moda presente, e etc.
O texto aprovado é tão “profundo” que (des)orienta as escolas, no sentido de “(…) fazer respeitar o direito da criança ou jovem a utilizar o nome auto-atribuído em todas as actividades escolares e extra-escolares que se realizem na comunidade escolar”. Se é que eu percebo a coisa, o aluno pode passar a ter dois nomes: o nome próprio e o nome “artístico-escolar”. Ena pá, isto é mesmo de “Twilight zone” para mim, analfo-disfuncional nestas esquerdalho-coisadas. Sendo assegurada a “(…) adequada identificação da pessoa através do seu documento de identificação”, em casos de matrícula, exames, etc. Criativas são as criaturas, lá isso são. Para mim, vou adoptar o nome de “Tarzan das Macacadas”.
De facto, sinto um alívio de imediato e imediata identificação. É uma sensação de absorção e extra êxtase do pleno absoluto abrangente. Tenho é dúvidas se quero ser “Tarzan” ou “Tarzã”. Vou entrar em meditação que espero não dar em depressão.
Mas o articulado vai melhorando na sua preocupação pormenorizada, com o delicioso pormenor do vestuário “quiçá carnavalesco antecipado”, que as crianças devem poder no seu livre escolhimento e arbítrio, escolher de acordo com a opção com que se identificam “(…) nos casos em que existe a obrigação de vestir um uniforme ou qualquer outra indumentária diferenciada por sexo”. Palpita-me que isto vai ser um gozo e brincadeira para muitos alunos em teatralização de talentos e descoberta assintomática. Lá vai a tradição.
Um agradecimento final aos senhores deputados da nação, que tão bem gastam o tempo e o dinheiro dos impostos dos “tugas”, que os elegem para estas “entretengas” da esquerda progressista e iluminada e livre e defensores dos animais e da natureza (que curiosamente nunca é contra-natura), e que até acautelaram a necessidade de formação para o pessoal docente e não docente – sempre útil para ocupar o tempo e porque não têm mais nada para fazer; é mesmo não ter a mínima noção da falta de pessoal, falta de tempo e o desfasamento completo de como funciona a correria do dia a dia numa escola. Enfim (…) Os Centros de Formação de Associação de Escolas (CFAE), vão trabalhar e funcionar a formar a todo o vapor; sim, que é preciso formatar as cabecinhas desviantes como a minha, “(…) de forma a impulsionar práticas conducentes a alcançar o efectivo respeito pela diversidade de expressão e de identidade de género, que permitam ultrapassar a imposição de estereótipos e comportamentos discriminatórios”. Nada de derivas e contraditório doutrinário.
Discriminação onde e aonde?! E que tal não violentar a consciência do professor! E que tal respeitar a pessoa humana e a idiossincrasia de cada professor@. E que tal reflectir sobre o facto da liberdade de cada um terminar onde começa a do outro. E que tal dizer não ao “abandalhamento” da escola pública com “política de retrete”, nas palavras da deputada do partido Chega, Rita Matias.
A realidade nacional da organização escolar vai mudar. E lá virá o tempo, e lá chegaremos, em que os comportamentos mais “humanizados” darão lugar a comportamentos mais “animalizados” e outras “excentricidades circenses” por oposição e deterioração de uma respeitabilidade escolar clássica em perda irreversível; a não ser uma já, mas já mesma abrupta inversão de políticas educativas, na escola e para a escola, de cidadania e responsabilidade, de normalidade, e não de “uma escola travestida” de um figurino que a trai. E nada, mesmo nada tem a ver com chavões como: “discriminação, inclusão, minorias, sexismo e discriminação de género, estereótipos, crenças e papéis de género, preconceito, acto de discriminação ou objectificação sexual de alguém, pessoa, grupo, etc. Falamos apenas e só de valores e de bom senso q. b. pelo Outro(s).
Com blindagem e combate à presença e influência crescente da cultura-movimento do “Wokismo” em meio escolar, anarco-ideológico, de impositiva unicidade societal, conflituante, desestruturante, rumo a uma nova consciência valorativa da condição “Woke-humanista”.
A legislação de regulamentação do governo, para a auto-determinação da identidade de género nas escolas, havia sido chumbada pelo Tribunal Constitucional, em 2021, passando a ser matéria da exclusiva responsabilidade e competência da Assembleia da República, que agora a aprovou com a maioria de esquerda socialista, bloquista, pandista e livre.
E agora, o que dizem os portugueses no exercício da sua cidadania.
Torna-se interessante um passeio pelos comentários e pelas redes sociais. Desde uma Isabel Moreira chamada de “alucinada”; “isto é tão perverso quão patético”; “usam as crianças para fins políticos”; “leis polémicas como esta, com um parlamento prestes a ser dissolvido”; “as crianças são usadas para combate político”; “se o bloco de direita ganhar as eleições, é reverter logo esta treta”; “a decadência moral da Europa (…)”; “miseráveis mesmo! (…) e esta esquerdalha apressa-se a aprovar medidas que não lembra ao diabo! Miseráveis!”; “quem aprovou isto devia ser internado num manicómio, isto são coisas que não se admite a uma pessoa que não tenha um atraso mental”; “(…) já não é preciso pendurarem-se nas portas e janelas para espreitarem as miúdas na casa de banho (…) porcaria (…) é fartar vilanagem pelo menos enquanto o parlamento tiver esta cor”; “anormais!”; “bateu no fundo”.
A escola está de facto em transformação, em transtornação e transtorno de pior a pior. Os professores vão ter mais uma tarefa, a de “inspectores-olheiros” a fazer lembrar o enigma da pantera cor-de-rosa. E a música cheira a naftalina. Está na hora de arejar. Sim, recomenda-se arejamento. Disse.
Nota: professor que escreve de acordo com a antiga ortografia.
CCX.