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Que força têm 150.649 Professores?

 

A Plataforma PORDATA regista, no ano de 2022, a existência de 150.649 Docentes em exercício de funções nos Ensinos Pré-Escolar, Básico e Secundário…

Que força têm cento e cinquenta mil, seiscentos e quarenta e nove (150.649) Docentes?

Que força têm os Sindicatos de Educação, que supostamente representam cento e cinquenta mil, seiscentos e quarenta e nove (150.649) Docentes?

Sendo realista e honesto, as duas perguntas anteriores, não poderão deixar de ter a mesma resposta:

– Nenhuma…

Sobretudo em momentos de crise, a eficácia da luta de qualquer classe profissional não pode deixar de ser medida pela sua capacidade reivindicativa, nomeadamente pelas pretensões que consegue ou não alcançar junto daqueles que tutelam a sua actividade…

No caso da Educação, no momento presente, o resumo da capacidade reivindicativa da Classe Docente parece ser este:

–  Professores sem rumo definido e Sindicatos à deriva…

Que contestação visível existe, neste momento, dentro de cada escola?

– Nenhuma…

As últimas Greves, à Sexta-Feira, resolveram algum dos problemas que afectam a Classe Docente?

As últimas Greves, à Sexta-Feira, permitiram alcançar alguma das pretensões Docentes?

Sendo realista e honesto, a resposta às duas perguntas anteriores, não poderá deixar de ser esta:

– Não…

As estruturas sindicais que supostamente representam os Professores parecem ter-se transformado em caricaturas de Sindicatos:

– Uns “em frangalhos” (STOP), outros “de pantufas” (FENPROF)…

Que crédito poderá ser reconhecido a tais Sindicatos?

Que capacidade negocial lhes poderá ser reconhecida?

Os Professores estão, efectivamente, “órfãos de Sindicatos”, abandonados à sua sorte…

Quem conseguir, que demonstre que essa não é uma realidade factual…

Parece incontestável que a banalização das folclóricas Manifestações de rua e as habituais Greves à 6ª feira não têm operado qualquer mudança significativa dentro de cada escola, nem removido as políticas perversas e injustas concebidas pela Tutela…

E já se chegou àquele ponto em que não é possível deixar de imputar aos Sindicatos a principal responsabilidade pela desunião Docente e pela incapacidade reivindicativa dessa classe profissional…

Quando as duas principais estruturas sindicais, FENPROF e STOP, optam por digladiar-se em plena praça pública, parece óbvio que abdicaram da defesa comum dos interesses dos seus supostos representados…

Quem conseguir, que demonstre o contrário…

Afinal, o que move essas estruturas sindicais?

O tempo corre a favor de uma Tutela perversa, ardilosa e incapaz de reconhecer e assumir a realidade…

Alguma vez existirá a coragem para fechar as escolas por tempo indeterminado?

O que poderá, ainda, mobilizar os Professores, enquanto classe profissional?

Os Professores aceitam resignar-se e “arrumar as botas” de vez, fazendo de conta que a luta, afinal, não passou de um “erro de casting” ou de um equívoco?

Que força têm cento e cinquenta mil, seiscentos e quarenta e nove (150.649) Docentes?

(Paula Dias)