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Ainda há esperança de que dois mais dois sejam quatro!

 

As pessoas gostam de ser convencidas de que dois mais dois são cinco. Se aparece alguém a dizer que são quatro, é um herege. Ou um desmancha-prazeres. Sobretudo, um desmancha-prazeres.” (José Saramago nas Suas Palavras)…

Metaforicamente, o principal paradigma das políticas educativas vigentes parece acreditar e defender que dois mais dois serão cinco…

E ai de quem ouse duvidar de que essa é a Verdade e a única Verdade…

E ai de quem ouse questionar essa Verdade, tida como Verdade Suprema…

A ousadia de contestar a Verdade Suprema poderá ter consequências nefastas, expectavelmente por ser impossível perdoar aos “hereges” e aos “desmancha-prazeres” por tal afronta…

Para alguns “sábios mui iluminados”, presumivelmente tenazes defensores do paradigma vigente, parecerá, talvez, legítimo censurar e punir aqueles que ousem impugnar ou negar a Verdade Suprema, pois que assim, quiçá, se desincentivem e dissuadam eventuais rebeliões ou alevantamentos…

Ao que tudo indica, os Docentes e a Directora do Agrupamento de Escolas Júlio Dinis (Gondomar) tiveram a coragem e a ousadia de contrariar o paradigma vigente, defendendo e assumindo que dois mais dois serão quatro…

Afinal, ainda há esperança de que dois mais dois sejam quatro!

Existirão mais “hereges” e “desmancha-prazeres”, capazes de resistir ao paradigma vigente?

Existirão mais “hereges” e “desmancha-prazeres”, capazes de se agigantar e de contestar que dois mais dois sejam cinco?

Quem mais se junta na defesa de que dois mais dois são quatro?

Estamos a dar a aula mais importante das nossas vidas”, bem podia ser o lema adoptado por todas as escolas do país…

Que se saiba, a Liberdade de Expressão e Informação continua consagrada na Constituição da República Portuguesa (Artigo 37º) e “no direito português, não existe aquilo a que costuma chamar-se «delito de opinião».” (Fundação Francisco Manuel dos Santos)…

A definição de Estado de Direito Democrático, constante no Artigo 2º da Constituição da República Portuguesa, também não parece admitir a possibilidade de alguma forma de censura ou de intimidação à Liberdade de Expressão e ao Direito de Opinião…

(Paula Dias)