Blog DeAr Lindo

Whistleblowing – João André Costa

 

Mais uma vez a simplicidade numa palavra só e perdoem-me o inglês quando soar o alarme não soa ao mesmo.
Por não ser expectável a má conduta profissional para com colegas e/ou crianças, é nosso dever, é a nossa obrigação alertar as instâncias hierárquicas quando está em causa o bem estar físico e emocional de quem diariamente vem à escola.
Exemplos? Desde professores embriagados ou em vias de, fruto das garrafinhas exibidas orgulhosamente no intervalo das aulas, até professores sob o efeito de haxixe mais o óbvio odor a empestar corredores e salas de aula enquanto os alunos juram a pés juntos, e com razão, não ser deles até ao mais comum e infeliz abuso verbal ou então a intimidação física da parte de quem é suposto estar na escola para proteger as crianças, já testemunhei de tudo um pouco e fraude também.
E não, não é fácil dar o primeiro passo para, literalmente, pôr a boca no trombone (mais uma péssima tradução apesar da correcta expressão em português), ainda para mais se tal passo representa uma traição, a bufaria e o injusto epíteto pidesco, para com os nossos colegas, tantas vezes amigos e companheiros do dia-a-dia.
Mas as crianças acima de tudo e as crianças no cerne da nossa existência, sem crianças não há escola e sem escola não temos razão de ser ou o emprego concomitante e como não enveredámos pelo ensino para viver à custa dos mais vulneráveis então a resposta é óbvia e o dever também.
Sabendo de antemão estar o anonimato garantido mais a certeza de em caso algum sofrer represálias e todos temos o direito a apresentar queixa. Está inscrito na lei e a não divulgação do nome do denunciante como princípio basilar contra a retaliação de colegas, superiores ou a própria instituição melindrada e principalmente superiores e a instituição melindrada.
Por ser fácil esquecermo-nos das crianças se sentados à frente de um computador o dia todo, cheios de si, enfartados de si sob o signo da soberba.
Deste modo, cabe a cada escola compilar um guia de procedimentos, em inglês uma “policy”, do qual todos os professores e pessoal auxiliar se devem inteirar entre direitos e obrigações e estamos todos obrigados para quem está ao nosso cuidado.
E sim, num cenário ideal todas as queixas devem ser apresentadas internamente, ninguém está acima da lei e nenhuma instituição pode em caso algum colocar a sua reputação e suposto bom nome em primeiro.
Cabe ao Director ser o receptor de todas as queixas e accionar os devidos mecanismos entre inquéritos internos e investigação. E se é o Director o acusado, o queixoso tem ao seu dispor o município e quem responsável pela educação para levar o caso avante.
Se “whistleblowing” corresponde a uma acção então a acção é o verbo e o verbo é simples. Já “whistleblowing” nem por isso. Mas ninguém, e sublinho ninguém, está imune, ninguém é impune e mais do que nunca e nunca como agora se fez ouvir tanto a nossa voz.
A nossa voz emudecida ao longo de séculos. E muito por obra e graça das redes e afinal tudo se questiona e interroga. Transponhamos este princípio para uma escola e o bem-estar das crianças estará garantido. Se devemos vigiar-nos uns aos outros? Não, basta cumprir os nossos propósitos, um dia de cada vez e o nosso maior propósito é educar. Ou assim quero acreditar se um dia me dei ao ensino.