No Verão passado acumulei férias para estar este ano com 45 dias por gozar.
Como 2023 será o 10o a trabalhar como dirigente escolar, sei que a comparação vai incluir o contraste com o caos angustiante que se prepara, pela teimosia do Governo, para 2023.
A serenidade de 2022 vai deixar saudades para a confusão e angústia de 2023.
E isto é independente da lei que for aplicada.
A nova lei é inaceitável para QA, QZP e contratados.
É inaceitável para portadores de incapacidade e para QZP em trânsito para os QZP mais pequenos. Não é aceitável para os professores em geral.
E, por isso, deve ser vetada pelo Senhor Presidente.
O concurso pode atrasar, mas já houve anos piores e estamos todos vivos.
Nunca esteve toda a gente com aulas a 15 de setembro e este ano vai ser pior, mas não por causa dos concursos.
Faltam professores e não se coloca o que não há e demora anos a inventar. A falta de professores devia ser o foco mas embora fossem contas simples de fazer os azelhas que nos governam ignoraram o tema até ele rebentar nas mãos.
A nova lei de concursos não inventa os professores que não há e vai afastar alguns, por desincentivo face às agruras da colocação.
A questão dos prazos de concurso é prejuízo pequeno, face à dimensão dos outros.
Por isso, espero que o presidente vete e não se deixe impressionar com argumentos burocratico-administrativos como “atrasar o concurso.”.
Não atrasar o concurso pode ser dar cabo da vida……
Eu sei que muita gente achará lérias minhas e não acreditará (já estou habituado ao mau juizo sobre mim, que dói e é muitas vezes cruel,mas não controlo, dado que dirigente escolar não tem direito ao beneficio da dúvida dos professores).
A suspeição inclui julgamento sem direito a contraditório que é algo cruel.
Mas como subdiretor “que vai passar o Verão a trabalhar”, prefiro isso a calar-me e ter na consciência o mal definitivo de muita gente.
E isto inclui quem conheço ou não.
A acção justa, como as leis, deve ser geral e abstrata.
DIzer isto faz de mim um chato. Mas prefiro ser um chato justo. E não se muda a natureza.
Era mais popular se me calasse com esta coisa do veto.
Já perdi alguma coisa com esta luta e agora é ir em frente no rumo traçado. Tenho muita pena de haver quem me deixe de falar e me bloqueie. A ironia é que há quem tenha essa animosidade até cruel mas venha a ter vantagem com o que eu digo.
Mas o que digo não é ato benemérito. É só justiça e coerência.
Há uns tempos, expliquei que a lei dos concursos não me afeta em nada (sou QA colocado na sua cidade a 5 m de casa a pé).
Afeta o meu Verão.
Para os que se lembrem de um texto que escrevi aqui, em que disse que ía abordar o concurso na perspetiva da justiça de 10 casos, a quem ele afeta, já que não tenho interesse próprio nele, tenho a dizer que, revendo os casos, a nova lei afeta negativamente e até em definitivo a vida de todas essas pessoas (o que significa, em paralelo, milhares similares).
O DL deve ser vetado, renegociado mas o concurso faz-se e este pode ser um ano de transição para um sistema mais justo, pactuado e bem ponderado.
Por isso, como dizia o outro:
qual é a pressa?