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Ontem foi Dia das Mentiras…

Ontem foi Dia das Mentiras…

 

Perante uma notícia falsa, publicada pelo Arlindo Ferreira, em jeito de brincadeira, alusiva ao Dia das Mentiras, dando conta de que o Governo tinha anunciado a contabilização dos 6A 6M 23D, eis que se extremaram opiniões:

– Alguns sorriram e interpretaram a notícia com sentido de humor, apesar de lastimarem que não fosse verdadeira;

– Outros consideraram-na como uma brincadeira de mau gosto e sentiram-se ofendidos pela mesma…

Confesso que quando li a notícia, pela primeira vez, não a relacionei com o Dia das Mentiras e, portanto, não percebi a brincadeira nessa altura… E o meu pensamento instantâneo foi este: Não acredito nisto!

Em minha defesa, devo dizer que, neste momento, acuso “um supremíssimo cansaço, íssimo, íssimo, íssimo, cansaço” (Álvaro de Campos) e que isso talvez tenha perturbado o meu discernimento, mas, contra mim, também tenho a referir que tendo a identificar-me com este tipo de pessoas:

Quem ri por último é porque não percebeu a piada…

Sim, é verdade. Isso passa-se comigo muitas vezes, como poderiam confirmar aqueles que me são mais próximos… Aliás, esse facto é tão evidente e frequente que chega a ser, em si mesmo, uma espécie de anedota caseira e familiar…

Passando essa observação marginal e voltando à parte mais séria do problema:

– O roubo do tempo de serviço dos Professores foi perpetrado por um Governo de António Costa…

– As consequências desse vitupério são inquestionavelmente penalizadoras para todos os Professores…

– Todos os Professores têm o inalienável direito de se sentirem usurpados e frustrados com tamanha injustiça e com a discriminação negativa de que têm sido alvo, em particular pelos Governos de António Costa…

– Percebe-se que existe muita frustração e muita raiva recalcadas e reprimidas, a precisar de serem libertadas…

– Os sentimentos negativos suscitados pelo referido roubo são absolutamente compreensíveis, mas transferi-los para outros que não sejam, ou tenham sido, membros do Governo de António Costa, não parece lógico, nem legítimo…

– Ainda que os sentimentos possam nem sempre ter lógica, convirá, talvez, não enveredar pela táctica dos “tiros nos próprios pés”, evitando eleger “bodes expiatórios”, como forma de aliviar tensões e frustrações…

– Se existe raiva e frustração, deveriam as mesmas dirigir-se a quem praticou a injustiça, em vez de, subliminarmente, se atribuírem culpas alheias a alguém que, na verdade, não praticou qualquer “delito”…

É sempre mais fácil, e tentador, fustigar os pares do que enfrentar e contrariar a Tutela…

No passado isso foi muito evidente e teve consequências desastrosas ao nível da união da Classe Docente e todos se lembrarão da expressão “saco de gatos”, muitas vezes utilizada para, metaforicamente, caracterizar o ambiente corporativo que se vivia entre os Professores…

Quem quererá reviver e recriar essa condição?

Ontem foi Dia das Mentiras, mas hoje já não é…

(Paula Dias)