Blog DeAr Lindo

Será que sou de Extrema-Esquerda e nunca tinha dado por isso?

 

Ultimamente, tem-se gerado alguma celeuma e controvérsia em torno da militância partidária de André Pestana, o que leva a colocar a seguinte pergunta, relativa a qualquer líder sindical:

– Um líder sindical poderá ser militante de um Partido Político?

A resposta à pergunta anterior, não poderá deixar de ser esta:

– Os líderes sindicais podem, como qualquer outra pessoa, ter convicções políticas e partidárias e serem militantes de Partidos Políticos, aliás esse é um Direito conferido pela Constituição da República Portuguesa a todos os cidadãos…

Da relação entre a militância partidária de um líder sindical e a acção do Sindicato por si dirigido, poderão surgir alguns cenários, em particular os que se seguem:

– As convicções partidárias do líder permanecem na esfera pessoal e não têm influência directa nas acções da estrutura sindical…

– As convicções partidárias do líder também são adoptadas pelo próprio Sindicato e têm influência directa nas acções da estrutura sindical, por obedecerem às linhas programáticas e ideológicas e às orientações do Partido Político onde milita o respectivo dirigente, e isso é assumindo publicamente, de forma frontal e transparente…

Neste caso, só aderirá a esse Sindicato, e às acções por si promovidas, quem concordar e se identificar com a ideologia política e partidária subjacente às convicções do respectivo líder e, assim sendo, ninguém poderá afirmar que “foi enganado”…

– As convicções partidárias do líder também são adoptadas pelo próprio Sindicato e têm influência directa nas acções da estrutura sindical, por obedecerem às linhas programáticas e ideológicas e às orientações do Partido Político onde milita o respectivo dirigente, mas isso não é assumindo publicamente, de forma frontal e transparente…

Neste caso, não é aceitável, nem legítimo, que o líder sindical vincule ou subordine as acções do Sindicato que dirige às suas próprias convicções partidárias ou a algum tipo de “agenda” que, nessas condições, será sempre considerada como encapotada e viciada pelo ludíbrio…

Se ocorrer o anterior, o líder sindical estará a enganar, deliberadamente, terceiros, nomeadamente os seus eventuais representados, o que não poderá deixar de ser considerado como uma evidência de má-fé…

Os líderes dos dois Sindicatos da Educação mais relevantes no momento actual, Mário Nogueira e André Pestana, militam em Partidos Políticos, como é do conhecimento geral e do domínio público:

– Mário Nogueira, líder da FENPROF, é há muitos anos militante do Partido Comunista Português (PCP);

– André Pestana, líder do STOP, depois de ter passado pela Juventude Comunista Portuguesa (JCP) e pelo Bloco de Esquerda, dos quais saiu em dissidência, é co-fundador do Movimento Alternativo Socialista (MAS)…

Quanto à FENPROF, que nunca assumiu o Comunismo como a sua ideologia de referência, parece plausível que, pelo menos, de forma encapotada, tenha agido, nos últimos anos, em concordância com a “agenda” partidária do PCP, e talvez também do Bloco de Esquerda, pois só assim se compreenderá a sua inércia perante tantos atropelos cometidos pelo Governo da Geringonça contra os profissionais de Educação…

Ainda para mais, tratando-se de um Governo sem maioria absoluta parlamentar e, portanto, à partida, mais susceptível e permeável a protestos e reivindicações, desde que os mesmos fossem realizados de forma convicta e contundente…

A ter sido assim, poderemos conjecturar que o líder Mário Nogueira possa ter exercido sobre a FENPROF uma influência partidária inapropriada, sobretudo por a mesma nunca ter sido assumida de forma frontal e transparente…

Enquanto ideologia política, não tenho nada contra o Comunismo que, na sua origem, considero como válido, mas basta-me saber que o PCP advoga, há muito tempo, a existência de regimes democráticos em países como a China, a Rússia, Cuba ou a Coreia do Norte, para rejeitar, liminarmente, a identificação com tal Partido Político…

Contudo, isso também não me impediu de participar, sem qualquer tipo de preconceito, em algumas Manifestações convocadas pela FENPROF, tendo Mário Nogueira como líder e assumido militante do PCP, como as que se realizaramem 8 de Março e em 8 de Novembro de 2008, nessa altura, absolutamente imperiosas para todos os profissionais de Educação…

Por seu lado, o S.T.O.P. auto-intitula-se como um Sindicato de todos os profissionais de Educação e apartidário…

De resto, essa auto-denominação tem contribuído para agregar milhares de profissionais de Educação, que se têm mostrado crentes nas palavras e nas acções desse Sindicato…

André Pestana e o STOP tiveram o mérito, inegável e reconhecido, de conseguir despertar e agregar os profissionais de Educação, ajudando-os a abandonar a letargia que os dominava há vários anos…

André Pestana e o STOP tiveram o mérito, inegável e reconhecido, de devolver a Esperança aos profissionais de Educação, mas isso também não significa que estejam imunes a erros…

Decorrente daí, os profissionais de Educação já demonstraram que estão unidos e dispostos a lutar e isso tem-se comprovado pela sua capacidade de mobilização e pela adesão massiva às iniciativas propostas pelos vários Sindicatos, incluindo as da FENPROF…

Até agora, André Pestana e o STOP não evidenciaram sinais de que a sua acção fosse subordinada a “agendas” ou a “fretes” partidários, apesar de muitos dos seus membros serem militantes do MAS, como é do conhecimento público há já algum tempo, ainda que alguns queiram fazer parecer que só agora o descobriram, manifestando uma duvidosa indignação…

Os profissionais de Educação esperam, obviamente, que André Pestana e o STOP continuem desapegados de “agendas” e de “fretes” partidários e que não se deixem deslumbrar pelo êxito até aqui alcançado ou por algum tipo de crença “messiânica”, falaciosa e irracional, tomando decisões precipitadas, acabando por induzir a sensação de abandono ou de traição…

Os profissionais de Educação esperam poder continuar a confiar na força mobilizadora de André Pestana e do STOP e numa conduta honesta, sem objectivos subreptícios ou “agendas escondidas”…

Os profissionais de Educação esperam poder continuar a confiar nas acções futuras do STOP e que a celeuma e a controvérsia, criadas em torno da militância partidária de André Pestana, não passem de uma artificialidade momentânea, com fins nada ingénuos e nada insuspeitos…

O STOP já foi conotado com o Anarquismo, por uns e com a Extrema-Esquerda, por outros…

No que me diz respeito, não me identifico nem como anarquista, nem como radical de Extrema-Esquerda, e até prova em contrário, continuarei a acreditar na capacidade mobilizadora de André Pestana e do S.T.O.P., assim como no seu sentido de responsabilidade e maturidade democrática…

Se alguém quiser qualificar como “anarquistas” ou como “radicais de Esquerda”, aqueles que reconhecem o mérito e a coragem de André Pestana/STOP, da minha parte, afirmo, com toda a certeza, que jamais apoiarei qualquer tipo de Radicalismo, sempre anti-democrático, de ExtremaDireita ou de Extrema-Esquerda…

Neste momento crucial, espera-se que as acções de todos os Sindicatos, independentemente das respectivas convicções políticas e partidárias, respeitem, acima de tudo, o interesse dos profissionais de Educação, cansados e fustigados por tantos vitupérios, desferidos pela Tutela…

Declaração de Interesses:

Não tenho qualquer filiação partidária.

Passei grande parte da minha vida a acreditar que era de Direita, mas já desfiz esse equívoco. As minhas convicções não são subordinadas a nenhum “credo” partidário, mas tenho fortes convicções políticas, que não é o mesmo que partidárias, umas vezes tendencialmente de Esquerda, outras vezes tendencialmente de Direita.

Não suporto estratégias obscuras, potencialmente destituídas de lealdade e de honestidade.

Não acredito na bondade natural de nenhum ego inflado.

Acredito, de forma genuína e convicta, na defesa incondicional da Democracia e é isso que verdadeiramente me move.

Winston Churchill lá teria a sua razão: “A Democracia é a pior forma de governo, à excepção de todas as outras”.

(Paula Dias)