Nos últimos tempos tem-se falado bastante de que acabou a «casa às costas» para milhares de professores, supostamente porque o Ministério da Educação (ME) aumentou de 10 para 63 o número de quadros de zona pedagógica (QZP).
Pois eu estou disposto a apostar, com quem quiser, como nos próximos anos letivos o número de professores deslocados será, mais coisa menos coisa, o mesmo que seria se não se alterassem os QZP. As contas são simples, os professores não «nascem» em lado nenhum porque se alteram o número de QZP. Por exemplo, no Algarve faltam milhares de professores, das várias disciplinas, podem dar as voltas que quiserem, no final eles terão de vir de fora, muitos deles, do norte do país, onde reside o maior número de docentes do país. E este raciocínio é válido para todas as regiões do país onde faltam professores.
A questão da vinculação, reduzindo-se drasticamente o número de professores contratados, poderá ter mais efeitos na redução dos professores deslocados que o aumento dos QZP. Mas aqui mais por permitir que professores que são colocados longe da sua residência, possam optar, com mais conforto, por mudar de residência, sendo certo que a grande maioria deverá optar por tentar aproximar-se da sua área de residência nos anos seguintes.
Nesta questão parece-me que não há grande volta a dar, de uma forma ou de outra será necessário apoiar os professores que estão deslocados da sua área de residência, que já são suficientemente penalizados por estarem longe das suas famílias e ainda têm atualmente de suportar custos de deslocação e alojamento. As câmaras municipais poderão localmente disponibilizar residências para os professores deslocados, há já algumas que o fazem, mas com tantos problemas de habitação no pais parece-me difícil que muitas o passam fazer, pelo que me parece que poderiam funcionar um sistema misto, alojamento garantido ou subsídio para o mesmo.
Enquanto este problema subsistir dificilmente se resolverá a falta de professores nas escolas públicas, quem é que hoje quer começar uma carreira em que sabe que vai ter de andar uma década a pagar para trabalhar? Mesmo que aprovassem estas medidas hoje, já iriamos com uns anos de atraso e eu não estou a ver o governo com vontade de alterar o que quer que seja nesta área!
Paulo Anjo Santos