Ninguém está “imune” à mentira. Ocasionalmente, todos mentem, todos fingem…
Quem nunca mentiu?
Proferir determinadas mentiras, por vezes até “piedosas”, cometendo pequenas desonestidades, é algo natural e incontornável no comportamento humano…
O problema da mentira torna-se realmente grave e sério quando, porventura, um Governo a “institucionalize” e “despenalize”, tornando-a no pensamento oficial, com o objectivo de enganar e ludibriar os seus concidadãos…
O presente Governo parece estar a esforçar-se no sentido de tomar esse rumo, sendo exemplo disso algumas afirmações do 1º Ministro e do Ministro da Educação, comprovadamentesurpreendidos a efabular sobre a Realidade, tentando, talvez, substituí-la por várias realidades paralelas, factos alternativos e inverdades que, no fundo, são o mesmo que mentir, mas sem uma carga tão pejorativa…
Conforme veiculado pela Comunicação Social nos últimos tempos, a forma despreocupada como alguns elementos do actual Governo tendem a usar e abusar da desfaçatez, dispensando a frontalidade, a conduta ética, a transparência, a justiça e a lealdade institucional assume proporções alarmantes e envergonha a Democracia…
Os profissionais de Educação têm sido tratados pela Tutela com evidente desconsideração, bem patente pelos vieses de um pensamento oficial que teima em não reconhecer os muitos problemas que afectam a sua realidade laboral e os motivos que os levam a contestar e a reivindicar de forma visível e audível…
À vista de todos, esse pensamento oficial parece ter preferido a opção pela propaganda, pela sobranceria e pela manipulação…
Como se tudo isso não bastasse, temos também, agora, um Presidente da República aparentemente empenhado em “legitimar a mentira” e a “normalização da tirania”, tentando atemorizar os profissionais de Educação com a “opinião pública”:
“Há um momento em que a simpatia que de facto há na opinião pública em relação aos professores pode virar-se contra eles” (Jornal Diário de Notícias, em 1 de Fevereiro de 2023)…
Pois que será verdadeira esta afirmação de Marcelo Rebelo de Sousa, mas o mesmo também poderá ser retorquido em relação ao Governo e ao próprio Presidente da República…
Pois que num determinado momento, a “opinião pública” também poderá “virar-se” contra o Governo e contra o Presidente da República…
Portanto, e com o devido respeito institucional, não pode deixar de se considerar que esta afirmação soa a “conversa de treta” e a uma tentativa velada de desvalorizar os motivos que levaram os profissionais de Educação à presente luta…
– Saberá a “opinião pública”, e o Presidente da República, que desde 2008, na Escola Pública, todos os Poderes estão concentrados nas mãos de uma única pessoa, fazendo com que a maior parte dos profissionais de Educação exerça a sua actividade profissional sob o jugo de factuais Ditaduras?
– Saberá a “opinião pública”, e o Presidente da República, que os profissionais de Educação, na condição de comum dos mortais, também adoecem, têm contas para pagar, famílias para apoiar e legítimos planos e expectativas relativos ao futuro?
– Saberá a “opinião pública”, e o Presidente da República, que os profissionais de Educação têm sido sucessivamente vilipendiados, desrespeitados e menosprezados?
– Saberá a “opinião pública”, e o Presidente da República, que os profissionais de Educação desempenham, muitas vezes, as suas funções em contextos físicos e materiais absolutamente medíocres e deploráveis?
– Saberá a “opinião pública”, e o Presidente da República, que a abnegação e o altruísmo dos profissionais de Educação têm contribuído de forma determinante para o adiamento do colapso da Escola Pública, apesar de tantas medidas educativas erráticas, emanadas pelo próprio Ministério da Educação?
Àqueles que se dedicam a tentar intoxicar a “opinião pública” com mentiras, com o objectivo de denegrir os profissionais de Educação e a injustificar a sua luta, deixa-se esta sugestão, não vá “o Diabo tecê-las”:
“Jamais diga uma mentira que não possa provar” (Millôr Fernandes)…
Quem (ainda) tem medo do “lobo mau”?
“Domar o lobo mau” compete a todos e a cada um, dentro e fora de cada escola…
Não há quem nos cale. Não deixaremos que nos calem.
(Votei em Marcelo Rebelo de Sousa duas vezes. Neste momento, sinto-me defraudada).
(Paula Dias)