A minha caixa do messenger está cheia de fotos de gente feliz em magotes largos a concentrar-se à porta das escolas em greve.
Podia destacar algumas, mas ía ser injusto.
Conheço-a e considero-a amiga (para mais do meu grupo).
Pessoa de fibra. Uma das animadoras entusiastas e persistentes da ILC pela contagem do tempo de serviço, que teve o seu clímax há 3 anos.
Também nessa altura verberada por sindicatos (Mário Nogueira chamou-nos em público traidores de forma direta).
Fomos derrotados porque Costa disse que se demitia e a geringonça roeu a corda a um acordo em marcha.
Tenho visto várias fotos assim. Uma ou 2 pessoas à porta da escola. Não são a maioria, mas merecem destaque.
Com esta foto e através dela fica a homenagem aos que se podiam sentir sozinhos no protesto. Não estão.
Não ganham nada em “fazer figuras tristes”, lhes dirão.
Grande engano. Ganhamos com eles todos, os que estão em multidões à porta da escola.
E ganhamos todos em amor próprio.
Essas são talvez as pessoas que estão a compreender melhor o que se está a passar.
Sabem que não estão sós. Porque a coisa é bem mais vasta que a porta da escola.
Mesmo que haja queixas de pais, ou até de sindicatos cegos, quem protesta são indivíduos convictos pelas agruras.
Alguns sindicalistas encartados falam de “desorganização” e “amadorismo”. E aí mostram que não estão a perceber nada.
Isto não é o Stop. O Stop é instrumento de uma coisa mais vasta, que precisa de ganhar só mais um pouco de momento.
E que é mais “praça Tahir” que “desfile do PCUS na praça Vermelha”. Com todos os defeitos e problemas da metáfora.
Os que tiram estas fotos podem sentir-se acompanhados porque, na verdade, não estão sós.
Há uma onda no país de consciência e vontade de enfrentar os problemas. E criativa também.
Nada se faz sem esforço, custos e trabalho.
A tal “luta” que tantos trazem na boca mas em que pouco andam a passar de palavras aos atos.
Luís Sottomaior Braga