No JN de hoje (6/10) aparece a reitora a defender os diretores, a propósito da possibilidade de haver uma quota de lugares no quadro escolhidos pela própria escola. O seu argumento é que o ataque a esta proposta se centra na desconfiança no comportamento dos diretores.
Como sabemos esta senhora foi a grande responsável pelo ataque à profissão docente, à carreira docente e à gestão democrática das escolas.
Esperava que aparecesse a fazer meia culpa e a responsabilizar-se pela atual falta de docentes, com as transformações que promoveu, ao criar uma carreira com estrangulamentos (5º e 7º escalões), ao criar um sistema de concursos que afasta os professores da sua zona de residência, ao criar um sistema de gestão unipessoal, que promoveu a arbitrariedade, ao criar um sistema de avaliação que só premeia alguns
dos bons professores, os que cabem nas quotas. Tudo em nome do gerencialismo, da proletarização dos docentes e de um sistema de gestão autocrático e com consequências a longo prazo no afastamento dos candidatos a esta profissão e consequente falta de professores que se acentuará devido ao envelhecimento desta classe.
Em suma, promoveu um sistema que desvalorizou a carreira docente, afastou os professores das suas residências e instituiu uma avaliação que abriu a porta ao compadrio (os adjuntos e assessores dos diretores são os grandes beneficiados), mas não assume responsabilidades.
O único mecanismo que garantia alguma equidade na entrada no quadro, aparece agora sob ataque, reforçando os poderes dos diretores. Mas debrucemo-nos sobre se os diretores serão confiáveis à luz das suas atitudes passadas – dando como provado que há diretores não autoritários. Todos conhecemos
as práticas de horários completos reduzidos a incompletos para estarem disponíveis para os «amigos». Todos conhecemos que na avaliação não há adjuntos ou assessores que fiquem fora das quotas, com o truque de requererem a ida para o contingente geral e não serem avaliados em universos específicos. Também conheço situações que durante muito tempo o diretor e seus convidados usufruíram de um parque de
estacionamento – a que chamei de currículo oculto que promove a correlação entre poder e privilégios.
Srª reitora em vez de meia culpa, segue a tática da avestruz, ignorando as consequências que o sistema teve, e que hoje se sente e sentirá cada vez mais no futuro, no afastamento dos candidatos a esta profissão, para além das consequências a nível de doenças pessoais para quem insistiu em manter-se na profissão ou por
necessidade ou por ingenuidade.
A desconfiança incide antes sobre os professores, com burocracias para tudo justificarem, as vítimas do sistema com doenças foram agora penalizadas com base nesta desconfiança no novo regime – veja-se o caso da colega com cancro recentemente falecida. Enquanto este paradigma não mudar a profissão não se tornará atrativa.