Blog DeAr Lindo

Aceitem e aprendam a ser infelizes!

 O Estudo “Saúde psicológica e Bem-estar”, recentemente publicado, relativo a Alunos e Professores, mais não fez do que comprovar, estatisticamente, a existência de uma realidade gritante, empiricamente conhecida de todos há muito tempo…

 Entre outras conclusões, o referido Estudo atestou que: “o ambiente da escola e a qualidade da gestão dos agrupamentos escolares aparecem associados ao sofrimento psicológico dos docentes”…

 Face a tal conclusão, os respectivos autores, recomendam designadamente que, e com carácter de urgência, se proceda a uma “ação concertada com as direções dos agrupamentos de escolas, de modo a promover a sua sensibilização para a importância da sua ação no clima do agrupamento e no bem-estar e saúde psicológica dos alunos, do corpo docente e, em geral, do ecossistema escolar”…

A anterior recomendação, aparentemente bem intencionada, não deixa, contudo, de afigurar-se como incompatível e inconciliável com o disposto no Decreto-Lei nº 75/2008 de 22 de Abril…

E aí é que estará o cerne do problema e, plausivelmente, a origem da maior parte do mal-estar identificado residirá também aí:

Quando se fala sobre a “qualidade da gestão dos agrupamentos” não poderá deixar de se considerar que esse atributo estará indubitável e irremediavelmente correlacionado com a vigência do Decreto-Lei nº 75/2008 de 22 de Abril e dependente do mesmo…

Sabendo que esse normativo legal instituiu a Ditadura nas escolas, que perdura desde 2008, abolindo o pensamento crítico e independente e impondo uma Democracia “postiça” e “travestida”, sem credibilidade e pervertida pela manipulação, como se pode melhorar o clima de um Agrupamento sem que tal Decreto seja revogado?

Como se pode “sensibilizar” uma Democracia impostora para a importância de valores que ela própria ignora e não pratica?

Se a postura corrente e habitual de uma determinada Direcção de Agrupamento passar por ser tirânica e ditatorial, como se pode sensibilizá-la para a importância das consequências dessa sua acção “no clima do agrupamento e no bem-estar e saúde psicológica dos alunos, do corpo docente e, em geral, do ecossistema escolar”?

Nessas circunstâncias, quem assumirá o papel de “sensibilizador”?

De forma alegórica, nas condições do Decreto-Lei nº 75/2008 de 22 de Abril, a “sensibilização” sugerida pelos autores do Estudo corresponderá ao mesmo que acreditar na possibilidade de um Tubarão-Branco deixar de ser um animal carnívoro ou um exímio predador…

Perante as principais conclusões deste Estudo, a primeira decisão daí decorrente, da competência do Ministro da Educação, deveria consumar-se pela revogação imediata do Decreto-Lei nº 75/2008 de 22 de Abril, uma vez que parece comprovado que o efeito tóxico e perverso do actual modelo de administração e gestão estará na génese de um ambiente escolar patogénico e lesivo…

Mas, e pela obstinação que tem vindo a ser observada, certamente que isso não irá acontecer… Assim sendo, não fará qualquer sentido continuar a encomendar Estudos, dilapidando dinheiro do erário público, para posteriormente ignorar ou escamotear as respectivas conclusões…

Em função das recentes conclusões, virá, agora, por certo, o Ministro, através de todos os meios de Comunicação Social, mostrar a sua sentida e profunda preocupação com o sofrimento psicológico dos Alunos e dos Professores…

As soluções indicadas por si para o problema, passarão, expectavelmente, por continuar a entupir e a atulhar as escolas com mais projectos, e projectos, e projectos, perfeitamente ilusórios, irrelevantes e inconsequentes do ponto de vista da resolução do problema e que, em vez disso, significarão mais uma carga de trabalhos para os que já trabalham insanamente nas escolas…

Sem a revogação do referido Decreto, bem pode o Ministro da Educação perorar com todas as “ladainhas esotéricas” e ininteligíveis, camufladas de “inovação”, que nenhuma delas resolverá o problema de fundo… Aliás, duvida-se mesmo que exista um interesse genuíno em resolvê-lo…

As efectivas boas práticas em Saúde Psicológica não podem ignorar a origem ou as causas de um problema. Identificada a origem ou as causas, há que, em primeiro lugar, agir sobre as mesmas e, só posteriormente, sobre as suas consequências… Até porque dificilmente alguma consequência será eliminada se nada for feito na origem do problema, continuando-se num círculo vicioso, do qual não será possível sair…

No caso presente, prevê-se a manutenção de todas as consequências do problema, em particular a continuidade do sofrimento psicológico identificado em Alunos e Professores, em vez de se agir sobre a principal causa do problema que, dêem-se as voltas que derem, não deixará de ser esta:

– A acção perniciosa de muitas Direcções e o respectivo contributo negativo no clima sentido em grande parte dos Agrupamentos…

Em vez de se encontrarem estratégias ou medidas para eliminar o sofrimento psicológico, o Ministro parece mais apostado na implementação de estratégias que parecem ter como principal objectivo aprender a aceitar e a lidar com esse mal-estar…  

Tudo menos eliminar a principal causa do mal-estar…

“Aceitem e aprendam a ser infelizes!”, parece ser o lema…

Hipocrisia e utopia. Apenas isso…

 (Matilde)