A minha mãe teve momentos difíceis na sua carreira, pessoais e profissionais. E dizia que algumas das pessoas mais solidárias que teve foram as então contínuas.
Cresci na escola para onde a minha mãe me levava quando não tinha onde me deixar. Nos meus 5,6,7 anos passei horas pelos corredores com “senhoras continuas” eu a fazer que varria para me manterem entretido e elas a cuidaram de mim, com solidariedade humana pela mulher com problemas como os delas, mais que por dever. Aliás, não tinham dever nenhum. Era mesmo amizade.
Hoje iniciei o dia a contar os assistentes operacionais, que fazem falta para manter abertas as escolas e jardins de infância do agrupamento em que sou dirigente.
Fecharam, sozinhos e sem conversas da treta professorais, uma EB23, 3 EB1 e um jardim de infância. E nos agrupamentos vizinhos foi na mesma linha.
E, por esse país fora, estão a dar um sinal de dignidade e luta que me envergonha pelo meu grupo profissional. Uma greve que mostra ao governo a falta que faz dar dignidade ao setor público. E que, ao fechar escolas, mostra a falta que elas fazem.
Neste dia em que fecham escolas e mostram a falta que fazem, a descontar um dia de salários mínimos, acredito que a melhor forma de solidariedade não é surfar a greve “deles” para ter um dia livre.
É fazê-la com eles.
Por isso, aderi à greve. Porque ela também devia ser “dos professores” . E porque quando é só nossa não chega a ser.