Idosos com mais de 100 anos e que foram vacinados contra o covid? Muito bem…
E os idosos, indefesos, dependentes física e/ou mentalmente de terceiros, que já morreram, pela incúria e pela negligência de quem devia zelar por eles e que foram verdadeiramente condenados à morte? E aquele idoso que, há poucos dias, morreu à porta de um hospital, dentro de uma ambulância há mais de 8 horas, alegadamente, por falta de assistência?
Desses não lhe interessa falar, pois não, Sr. Primeiro Ministro?
Escolas abertas? Muito bem… O ensino presencial é insubstituível…
Mas e aquele discurso oficial, de há poucos meses atrás, afirmando o E@D como uma panaceia, verdadeiramente miraculosa e fantástica? E o apetrechamento e a capacitação das escolas com plataformas digitais altamente eficazes e da disponibilização de computadores para todos aqueles que deles precisassem, também tão “vendidos” e apregoados ao longo dos últimos tempos? Para onde foi esse discurso, Sr. Primeiro Ministro?
O número de contágios nas escolas não é significativo em termos estatísticos, segundo o Sr. Primeiro Ministro…
Qual a fonte dos dados apresentados e que permitiu proferir tal afirmação? Serão os dados “suavizados” por estatísticas duvidosas, enviesadas e acintosas, com o objectivo de escamotear a gravidade do problema e de não causar “alarme social”; ou os dados reais, correspondentes ao número efectivo de contágios ocorridos em todas as escolas do país? Se fosse pela segunda fonte, o Sr. Primeiro Ministro nunca poderia desconsiderar nem a dimensão, nem a gravidade do problema…
Sr. Primeiro Ministro, o seu discurso e, sobretudo, as suas medidas para lidar com a presente pandemia não podem deixar de se considerar como profundamente hipócritas, demagógicas e essencialmente políticas. Mas, Sr. Primeiro Ministro, não é de política que aqui se trata, é de saúde pública, por muito difícil que para si seja distinguir entre as duas…
As consequências da sua obstinação serão devastadoras para os seus concidadãos que, depois de tudo isto, nada terão para lhe agradecer…
E, lamentavelmente, muitos deles já cá não estarão para não votar em si nas próximas eleições legislativas…
Por isso, Sr. Primeiro Ministro, e com o devido respeito, vá para o diabo que o carregue…
(Matilde)