Têm-nos chegado muitas missivas em relação a este tema.
Os professores mostram-se preocupados e indignados em relação ao desrespeito em relação às medidas veiculadas no documento das Medidas para o Ano Letivo 2020/21 em que é referido que, se “devem suspender-se eventos e reuniões com um número alargado de pessoas”. A questão que assolará muitas escolas será qual o número alargado de pessoas. É tudo uma questão de bom senso. Se se quer dar uso à experiência que se obteve com o que aconteceu no 3.º período do ano letivo transato e manter um ambiente de segurança nas escolas, as reuniões podem, muito bem, ser realizadas de forma não presencial.
Tomemos com exemplo a área urbana da grande Lisboa onde o estado de contingência está ativo há algum tempo. Uma reunião com 20 pessoas num espaço de uma sala de aula é totalmente despropositadas e desrespeitosa do bem estar físico de qualquer pessoa, além de ir contra as medidas impostas. A IGEC e a autoridade para as condições do trabalho deverão ser contatadas e as situações de incumprimento deverão ser relatadas.
Ainda estou para ver qual vai ser o diretor que vai permitir uma reunião presencial a partir de dia 15 de setembro…
Professores alarmados com reuniões presenciais. “Vamos ter escolas com algumas falhas”
Há professores que não voltaram aos estabelecimentos de ensino onde leccionam desde 13 de Março, quando encerraram as escolas por causa da pandemia, realizando o seu trabalho à distância, através de vias digitais.
Mas em diversos estabelecimentos de ensino, estão a decorrer reuniões presenciais de professores “com 20, 30 ou mais pessoas no mesmo espaço”, como se denuncia no blogue VozProf que se dedica às temáticas da Educação.
Uma realidade que é confirmada ao ZAP pela presidente da Associação Nacional de Professores (ANP), Paula Figueiras Carqueja, que nota que muitos professores têm contactado esta entidade para saber “o que podem fazer, considerando-se, muitos deles, de risco”, e para saber “quais são os direitos e deveres” que se aplicam nesta situação.
Paula Carqueja destaca que a ANP comunicou à Secretária de Estado da Educação, Susana Amador, a recomendação de que “todas as reuniões de professores fossem sempre através de uma plataforma digital e online“.
No documento “Orientações Ano Lectivo 2020/2021“, a própria Direcção Geral de Educação (DGE), em consonância com as regras da Direcção Geral de Saúde (DGS), nota que as direcções de cada agrupamento de escolas devem “privilegiar a via digital para todos os procedimentos administrativos, sempre que possível”, bem como “suspender eventos e reuniões com um número alargado de pessoas“.
“Vai contra as normas” e “é perigoso”
Numa altura em que as regras de “limitação de ajuntamentos” da DGS continuam a vigorar, determinando que não haja encontros com mais de 20 pessoas, ou no máximo 10 no caso da Área Metropolitana de Lisboa que está em Estado de Contingência, estas reuniões podem ter “resultados nefastos no bom funcionamento dos agrupamentos”, alerta o blogue VozProf.
Esta publicação refere que pode haver professores “empurrados” para “baixas médicas” e para a “obrigatoriedade de isolamento”, colocando “em causa o início do ano lectivo“.
Também no blogue Eduprofs se salienta essa ideia, com a ressalva de que pode estar em causa “a saúde de docentes, não docentes e de toda a comunidade educativa“, instando, assim, as direcções dos agrupamentos a cumprirem as orientações da DGS.
“Como vamos entender que possa haver gente infectada em reuniões que depois não possa cumprir o objectivo mais importante de dar aulas? Como se pode aceitar que possa haver alunos que fiquem sem aulas para se fazerem, dias antes, reuniões em cascata?”, questiona, por seu turno, o professor Luís Sottomaior Braga do Agrupamento de Escolas da Abelheira, em Viana do Castelo, através do seu perfil do Facebook
Este ex-director de um Agrupamento de Escolas critica o que chama de “carnaval carioca de reunite presencial nas escolas“, considerando que “vai contra as normas, é perigoso, põe em risco o objectivo de começar as aulas e até é pouco eficiente”. “As reuniões à distância foram mais eficazes”, conclui.
Também a presidente da ANP considera que em reuniões virtuais haveria menos “ruído”, o que as tornaria “mais céleres”.
Mas se há tanta preocupação quanto às reuniões presenciais que envolvem apenas adultos, a abertura do ano lectivo com o regresso das crianças não será muito mais preocupante?
Confrontada com esta pergunta, Paula Carqueja refere ao ZAP que o problema é que “neste momento, temos todos os professores“, incluindo “professores de risco“, que estão ao serviço desde 1 de Setembro.
Quando abrir o ano lectivo, “de certeza que não vai haver encontros de sala de professores” e “como cada turma vai ter a sua sala”, não haverá o “aglomerado” de pessoas que a DGS não recomenda, analisa Paula Carqueja.