Tenho lido as mais variadas reações a esta medida anunciada por alguns diretores. Além de não lhes fazer mal nenhum consciencializa-os para o respeito pelos outros, por si próprios e pelo trabalho de quem ao fim do dia limpa o que eles deixam espalhado para trás.
A verdade é que criamos um sistema em que os nossos alunos não veem a sala de aula como um lugar seu, e isso vem de casa. Uma coisa é por falta de atenção entrar na sala de aula com as sapatilhas cheias de terra por não as limpar por falta de tapetes, outra é a preguiça de no final da aula levar os lenços, ranhosos, para o caixote do lixo. Mas não é só isso. É o apara-lápis com depósito que se abre e espalha pela mesa e pelo chão as aparas que por lá ficam, são os papeis que se atiram ao colega que se espalham pelo chão, é todo o tipo de “dejetos” que se encontram pelo chão de uma sala de aula que não são dignos de lá encontrar. As nossas crianças e jovens não estão habituadas a respeitar os espaços por onde passam ou onde vivem. Há sempre alguém que limpa atrás deles.
A educação, o civismo e o respeito pode passar por higienizar o seu espaço de trabalho depois de o ter utilizado, Noutros países é assim que acontece, qual será o problema em que o mesmo aconteça por cá? Fará isso com as crianças e jovens sejam menos que os que o fazem? Que geração estamos a criar?
“A prova mais dura para a nossa condição humana é esta invisível desagregação do ser, aceite como regime de normalidade; esta experiência avulsa de expropriação de si traduzida em tantas modalidades de exílio, face às quais nos tornamos conformistas e acríticos; estes magros recursos de que aceitamos dispor para atravessar a vida.”
Os comentários que li contra esta medida são, no mínimo, caracterizadores de uma sociedade niilista disfuncional.
Há que dizer o seguinte, sou pai, não terei qualquer problema que as escolas dos meus filhos os façam higienizar as suas áreas de trabalho, eu, em casa, peço a sua colaboração para muito mais que isso, todos têm as suas tarefas, é assim que vivemos em família e em comunidade.