Blog DeAr Lindo

Não vejo mal nenhum em os alunos higienizarem o seu local de trabalho

OKAZAKI, ESTADO DE AICHI, JAPÃO. 01/06/2015 LIMPEZA SE APRENDE NAS ESCOLAS DO JAPÃO Durante a Copa do Mundo do Brasil em 2014 foi nas arquibancadas e não nos gramados que os japonses mais chamaram a atenção do mundo. Mesmo depois da sua seleção ter perdido a partida, torcedores japoneses segurando um saco plastico azul realizavam a coleta do lixo da arquibancada. A torcida japonesa recolhia todo o lixo deixando limpa a arquibancada para ser ocupada pela proxima torcida. Esse costume de limpar o proprio lixo na verdade é uma lição que faz parte dos ensinamentos da escola primária de todo o Japão. No Japão crianças da escola primária realizam a limpeza da escola diariáriamente. Aprendem com 6 anos de idade a partir do primário que tudo que os alunos sujam tem que ser limpo por eles mesmo. E esse costume vem sendo assimilado como se fosse uma brincadeira com os colegas de classe. Todos os dias após o horário da merenda escolar os alunos tem quinze minutos para realizar a limpeza, os serviços ja são pre determinados de acordo com o calendario passado pelo professor que orienta onde cada grupo tem que realizar a limpeza nesse dia. Foto dos alunos da escola primária Dyonan da cidade de Okazaki limpando a sala de aula. (Foto : Marcelo Hide/Fotos Públicas)

 

Tenho lido as mais variadas reações a esta medida anunciada por alguns diretores. Além de não lhes fazer mal nenhum consciencializa-os para o respeito pelos outros, por si próprios e pelo trabalho de quem ao fim do dia limpa o que eles deixam espalhado para trás.

A verdade é que criamos um sistema em que os nossos alunos não veem a sala de aula como um lugar seu, e isso vem de casa. Uma coisa é por falta de atenção entrar na sala de aula com as sapatilhas cheias de terra por não as limpar por falta de tapetes, outra é a preguiça de no final da aula levar os lenços, ranhosos, para o caixote do lixo. Mas não é só isso. É o apara-lápis com depósito que se abre e espalha pela mesa e pelo chão as aparas que por lá ficam, são os papeis que se atiram ao colega que se espalham pelo chão, é todo o tipo de “dejetos” que se encontram pelo chão de uma sala de aula que não são dignos de lá encontrar. As nossas crianças e jovens não estão habituadas a respeitar os espaços por onde passam ou onde vivem. Há sempre alguém que limpa atrás deles.

A educação, o civismo e o respeito pode passar por higienizar o seu espaço de trabalho depois de o ter utilizado, Noutros países é assim que acontece, qual será o problema em que o mesmo aconteça por cá? Fará isso com as crianças e jovens sejam menos que os que o fazem? Que geração estamos a criar?

“A prova mais dura para a nossa condição humana é esta invisível desagregação do ser, aceite como regime de normalidade; esta experiência avulsa de expropriação de si traduzida em tantas modalidades de exílio, face às quais nos tornamos conformistas e acríticos; estes magros recursos de que aceitamos dispor para atravessar a vida.”

Os comentários que li contra esta medida são, no mínimo, caracterizadores de uma sociedade niilista disfuncional.

Há que dizer o seguinte, sou pai, não terei qualquer problema que as escolas dos meus filhos os façam higienizar as suas áreas de trabalho, eu, em casa, peço a sua colaboração para muito mais que isso, todos têm as suas tarefas, é assim que vivemos em família e em comunidade.