Uma outra escola?
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Os mais prejudicados com o encerramento físico das escolas podem ser, assim, os alunos mais frágeis, para os quais deveriam existir novas medidas de apoio, mesmo que venham a ultrapassar o calendário letivo formal. Em muitos países sul-americanos, e em casos que exigem mais tempo de aprendizagem, a medida tem sido implementada com bastante sucesso. E tem de haver a certeza que todos os alunos regressam à escola, mesmo aqueles que pertencem a grupos mais problemáticos, pelo que é necessário ter uma preocupação redobrada, devido aos efeitos económicos da presente crise. Daí que a suspensão das atividades letivas presenciais tenha um impacto potencial no comportamento dos alunos, com tendência para os de estratos mais desfavorecidos poderem desistir mais facilmente da escola.
Outro lado importantíssimo no ensino a distância é o dos pais, cujo papel terá de ser mais valorizado para que os seus educandos possam cumprir com sucesso as atividades escolares. Se nem todos apoiam ou podem apoiar do mesmo modo, pertence-lhes a responsabilidade de exigir aos filhos quer o tempo de estudo necessário, quer a realização das tarefas escolares. Face às diferenças existentes no acesso às tecnologias digitais e à Internet, e para que a escola também mude efetivamente, cabe ao Estado propor incentivos, por exemplo, ao nível fiscal, como recomenda o Relatório da OEI, para que as tecnologias digitais, enquanto eixo prioritário das políticas educativas, sejam a base da nova escola que está a surgir.
In Público